Cardeal Levada: união indissolúvel entre Sagradas Escrituras e Tradição

«Só a viva tradição eclesial permite uma reta compreensão das Escrituras»

| 805 visitas

Por Carmen Villa

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O prefeito da Congregação da doutrina da Fé, cardeal William Joseph Levada, falou ontem aos bispos participantes no Sínodo sobre a Sagrada Escritura como fonte principal de toda inspiração teológica, assim como sua «união indissolúvel» à Tradição.

Em seu discurso pronunciado ontem, o cardeal Levada explicou que «a vida e a missão da Igreja se baseiam na Palavra de Deus, que a nutre e a expressa, porque essa é a alma da teologia e também a inspiradora de toda a existência cristã».

Ele afirmou a necessidade de obedecer e venerar a palavra de Deus para que seja acolhida e para que assim os fiéis em Cristo vivam em comunhão.

O prelado também fez alusão à Constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que fala sobre a unidade entre a Palavra de Deus e a Tradição, as quais provêm da mesma fonte.

Assegurou que só a viva tradição eclesial permite uma reta compreensão das Sagradas Escrituras como «autêntica palavra de Deus que se torna guia, norma e regra para a vida da Igreja e o crescimento espiritual dos crentes».

«Com isso se rejeita qualquer interpretação subjetiva, puramente experimental e unilateral» que se torna «incapaz de acolher em si mesma o sentido global que no transcurso dos séculos guiou a tradição do povo de Deus».

Por isso, referindo-se novamente à Dei Verbum, afirmou a necessidade de que estas interpretações sejam iluminadas pelo Magistério, o autêntico intérprete da Palavra de Deus, e sublinhou a responsabilidade que os bispos têm nesta tarefa.

«Este é um assunto que compete diretamente aos bispos em primeira pessoa, seja como ouvintes da Palavra, seja como servidores da mesma, segundo o múnus docendi que receberam»; assegurou que o Sínodo é uma instância propícia para isso e que nas sessões se deve «promover a verdade e a unidade do diálogo pastoral no interior do Corpo Místico de Cristo».

O purpurado falou também da importância de familiarizar-se e de fazer vida o conteúdo das Sagradas Escrituras, e se referiu à carta aos hebreus, que recorda que «a palavra de Deus é viva e eficaz». Recordou que o ser humano deve acolhê-la com humildade e responsabilidade e que este deve ser o fim de sua vida.

«Só quem a vive (a Palavra de Deus) em um compromisso concreto de crescimento pode compreender o que São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: «Ai de mim se não pregar o Evangelho!», concluiu o cardeal.