Cardeal pede compromisso para combater o que desfigura o Rio de Janeiro

A violência, a destruição ecológica e a epidemia da imoralidade, diz D. Eugenio Sales

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RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O cardeal Eugenio de Araujo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, pediu aos cidadãos o compromisso de «combater o que desfigura a nossa cidade».

Segundo Dom Eugenio, três agressões mancham de forma especial o rosto do Rio de Janeiro: a violência, a destruição ecológica e a epidemia da imoralidade.

No contexto da festa do padroeiro da cidade, São Sebastião, celebrada no dia 20 de janeiro, o cardeal difundiu uma mensagem aos fiéis em que destaca que «nossa devoção nos leva a empenhar-nos para que o Rio de Janeiro corresponda ao seu nome original: “a mui leal e heróica cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro”».

De acordo com o cardeal Sales, a primeira mancha «é a crescente violência nas suas mais variadas modalidades. Ela deforma o Rio, ao roubar-lhe o espaço de liberdade indispensável ao convívio humano».

«A justiça social, fundamento da paz entre os indivíduos, é dura e cruelmente atingida, quando, entre os filhos do mesmo Pai, e com igual destinação eterna, 60% das famílias ganham menos de três salários mínimos e mais de um milhão e meio não possuem um lar digno desse nome», afirma.

Além disso –prossegue o purpurado–, «entremeado aos barracos, a ostentação do luxo injuria uma visão cristã da convivência social».

«A exaltação do consumismo e o esbanjamento humilham ou fazem crescer os sofrimentos de estômagos vazios.»

O arcebispo emérito também cita como agressões «a indução à esterilização de homens e mulheres e a distribuição de pílulas anticonceptivas aos pobres, assim como os preservativos»; «a insegurança que gera o medo», «o índice de criminalidade», «as máfias e os tóxicos».

A segunda mancha comentada por Dom Eugenio é «a destruição do meio ambiente, a poluição do ar e vários outros fatores dificultam a vida humana em nosso meio urbano».

«O egoísmo, por natureza, busca o próprio conforto e vantagens pessoais em detrimento do próximo; ameaça um bem que pertence à coletividade e desfigura a face da metrópole.»

Já a terceira agressão, «que muitos parecem não querer ver» –comenta o arcebispo emérito–, «mas que é a raiz das duas primeiras: perdem-se os valores morais que constituem a única base sólida de uma sociedade».

«Grupo humano algum sobrevive, sem reagir, à debilitação dos princípios básicos da dignidade da vida, indissolubilidade da Família, proteção à inocência, reconhecimento da nobreza do corpo, respeito ao alheio, aceitação de normas de um comportamento digno à fraternidade, o amor à Verdade.»

Segundo o cardeal Eugenio Sales, como fundamento desses males e a explicação de sua proliferação entre nós «avulta o enfraquecimento do autêntico sentimento religioso».

«Se ele não paira à superfície, eficazmente gera os antídotos a tais doenças que nos corroem. Para se alcançar esse objetivo urge passar de um sentimentalismo vazio ou convencional à vivência do Evangelho em profundidade.»

O arcebispo emérito enfatiza que ao longo dos mais de 400 anos de história do Rio de Janeiro «atua uma presença plasmadora desse organismo social: a Igreja».

«Apesar das falhas humanas de seus filhos, tem operado o Espírito de Deus. E ela pode apresentar larga folha de serviços, não acidentais, mas essenciais à preservação da nossa identidade», afirma o cardeal.