Cardeal “perplexo” com suspensão de deputados contrários à legalização do aborto

D. Geraldo Agnelo: direito de nascer é o primeiro e fundamental direito da pessoa

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SALVADOR, quinta-feira, 8 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Salvador (Brasil), cardeal Geraldo Majella Agnelo, manifestou sua perplexidade com a recente suspensão de dois deputados por sua postura contrária à legalização do aborto.

O Diretório Nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) havia suspendido no último dia 17 os deputados Luiz Bassuma (Bahia) –1 ano– e Henrique Afonso (Acre) –90 dias–. Segundo o partido, eles militam contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT, a favor da descriminalização do aborto. Ambos deputados desfiliaram-se do PT.

Em artigo enviado a Zenit ontem, o cardeal Agnelo afirma ter ficado “perplexo” com “a decisão de um partido político de adotar princípio bolchevista de condenar e suspender correligionários que se colocam na defesa do primeiro e fundamental direito da pessoa humana, o direito de nascer”.

“Solidarizo-me com os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso”, afirmou o arcebispo.

O cardeal considera que a defesa da vida “constitui uma conquista da civilização e seria muito grave retornar aos tempos quando nem todos os seres humanos eram considerados pessoas. Estes, então podiam ser comprados, vendidos, tratados como objeto, inclusive, mortos”.

“A vida humana não é um produto nosso; não é objeto de nossa fabricação, por isso não está à disposição de nosso arbítrio”, destaca.

“Os Direitos Fundamentais da Pessoa Humana, a começar do Direito à Vida, não são outorgados por instâncias políticas. Eles vêm antes de qualquer legislação humana, são preciosos porque subtraem a pessoa ao arbítrio de qualquer poder e à tirania de circunstâncias adversas.”

Segundo Dom Geraldo Agnelo, “os Governos e os seus órgãos legislativos podem apenas reconhecer esses direitos e devem tudo fazer para garanti-los.”

O cardeal afirma que abortar “é medida que deixa a mulher sozinha com o seu drama, desonera o pai da criança, desonera a administração pública e a sociedade organizada da necessidade de acolher, cuidar, sustentar, juntamente com a mulher, a vida nova que está chegando”. 

“Demoramos mais de 200 anos para tomar consciência de que não se pode violar a natureza, o ar, as águas, as florestas sem pagar alto preço, como o aquecimento global. A violação da vida humana nos trará consequências ainda piores”, assinala.

“Um embrião não é um grumo de células, mas indivíduo da espécie humana. Não se trata de verdade de fé e sim de verdade que a razão é capaz de reconhecer”, afirma Dom Geraldo.