Cardeal Ruini pede «conversão missionária» às paróquias

Apresenta linhas para uma «pastoral integrada»

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ROMA, sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal Camillo Ruini, bispo vigário do Papa para a diocese de Roma, pediu esta quinta-feira às paróquias uma «conversão missionária». O chamado ressoou entre os participantes no congresso «Paróquia e nova evangelização», organizado pela Comunidade do Emanuel em colaboração com o Instituto Redemptor Hominis, que se desenvolve em Roma de 30 de janeiro à 1º de fevereiro.

Declarando ao início que seu objetivo não era o de «tranqüilizar nem consolar», explicou que «a pergunta crucial afeta a atitude que deve ter a paróquia para acolher e aplicar essa grande mudança ao que se alude com o nome de conversão missionária de nossa pastoral».

Por este motivo, convidou a não ficar aprisionados por «duas tendências parcialmente contrastantes, mas pouco abertas à missão: a de se ver como uma comunidade fechada, na qual seus membros se encontram bem quando estão juntos, e a que se concebe como uma 'área de serviço' para a administração dos sacramentos, que dá por descontado em quem os pedem uma fé freqüentemente ausente».

Pastoral integrada

Para que se dê esta conversão da paróquia no novo contexto social, o purpurado propôs uma «pastoral integrada», processo que requer que «as paróquias abandonem as tentações da auto-suficiência, para intensificar em primeiro lugar a colaboração e a integração com as paróquias vizinhas».

Deste modo, explicou, poderão «desenvolver juntos e sem discordâncias, em um mesmo âmbito territorial, essas atenções e atividades pastorais que de fato superam as possibilidades normais de uma paróquia».

Esta «colaboração e integração», disse, «devem ser promovidas também com as demais realidades eclesiais, que podem estar presentes no território, pelas comunidades religiosas, as associações e movimentos laicais».

«O marco de referência fundamental do processo de integração é evidentemente a diocese, antes de tudo na pessoa do bispo e em suas orientações pastorais, mas também nos órgãos de participação e nas oficinas que atendem os diferentes âmbitos da ação pastoral e que estão chamados em primeiro lugar a viver uma lógica de colaboração e integração».

Espiritualidade de comunhão

«A própria diocese, sem renunciar a seu caráter e responsabilidade própria de Igreja particular, está envolvida em um nível mais amplo nesse mesmo processo de colaboração e integração, porque cada vez são mais importantes os temas pastorais aos quais só se pode responder adequadamente em uma perspectiva tanto regional como nacional, por não dizer continental e mundial».

«De todas as formas, o primeiro motivo da 'pastoral integrada'», declarou, «não são as mudanças sociológicas que acontecem nestes momentos, mas a própria essência do mistério da Igreja, que é comunhão».

«A comunhão eclesial tem por sua vez uma orientação intrínseca para a missão e à comunicação da fé, que devem constituir, sempre, mas de maneira especial nas circunstâncias atuais, o critério orientador de toda a pastoral».

Três orientações

O cardeal propôs três orientações para ajudar a paróquia a «assumir concretamente uma configuração missionária».

A primeira é «formar os cristãos que participam em nossas comunidades, em primeiro lugar os próprios sacerdotes e seminaristas, em uma fé que seja conscientemente missionária, nas diferentes situações de vida e não só dentro do âmbito paroquial ou eclesial».

O segundo «caminho que deve ser percorrido é o de discernir, avaliar e desenvolver as possibilidades missionárias que já estão presentes, ainda que com freqüência de maneira latente, em nossa pastoral ordinária, que nos permite encontrar a muitas pessoas que pertencem à Igreja de maneira frágil ou precária, assim como aos não crentes: se nos aproximamos deles com espírito evangélico e com impulso missionário não faltarão os frutos».

Uma terceira orientação de fundo proposta por Ruini é a de «dar um espaço central à pastoral dos adultos, e portanto, antes de tudo, das famílias, mas também dos ambientes de trabalho e de vida nos quais se encontram os adultos».

Por isso pediu, na medida do possível, «remodelar os ritmos de vida das paróquias de maneira que sejam realmente acessíveis aos adultos que trabalham e às famílias: para alcançar este objetivo, mais que organizar numerosos encontros, pode ser mais útil um estilo pastoral caracterizado por relações humanas profundas e cultivadas sem esse estresse que produz a falta de tempo disponível».

«De todo modo, a importância da pastoral dos adultos e das famílias não deveria envolver um enfraquecimento do compromisso em favor das gerações mais jovens; seria um erro gravíssimo», explicou.

O cardeal considerou que a conversão de uma paróquia missionária não é um «desafio impossível»: «é necessário 'remar mar adentro', com a confiança, a criatividade e a valentia apostólica que nascem da fé».