Cardeal Rylko apresenta “novo estilo de colaboração” entre sacerdotes e leigos

Presidente do Conselho Pontifício para os Leigos fala no quinto Colóquio de Roma

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ROMA, terça-feira, 26 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- O cardeal Stanislaw Rylko apresentou, nesta terça-feira, o que chamou de um “novo estilo de colaboração" entre sacerdotes e leigos nos movimentos eclesiais e novas comunidades, discutindo os benefícios que pode trazer para Igreja.

O presidente do Conselho Pontifício para os Leigos discursou no quinto Colóquio de Roma, organizado pela Comunidade dell'Emmanuele e pelo Instituto Universitário Pierre Goursat (IUPG), em colaboração com o Instituto Pontifício “Redemptor Hominis", que neste ano teve como tema "sacerdotes e leigos na missão".

Este "novo estilo" de colaboração entre sacerdotes e leigos, explicou o cardeal polonês, pressupõe que “os presbíteros reconheçam a identidade própria dos fiéis leigos e os valorizem efetivamente em sua missão na Igreja e no mundo evitando assumir, por um lado, atitudes paternalistas ou autoritárias no governo das comunidades paroquiais, e por outro, uma falsa promoção das ações leigas sem respeitar sua vocação específica, o que poderia se tornar um álibi para não assumir os próprios deveres pastorais para com a comunidade cristã”.

Este “novo estilo”, acrescentou, pede aos leigos um "vivo sentimento de pertença à Igreja, bem como "a consciência de sua responsabilidade em dar sua contribuição para a vida e missão da Igreja, evitando ao mesmo tempo uma excessiva preocupação com os assuntos intra-eclesiais". O cardeal alertou, porém, para o perigo "da armadilha de uma mentalidade hostil às instituições eclesiais, contaminada pela lógica mundana da luta pelo poder”.

“Fator decisivo para o despertar missionário de todo o povo de Deus, em um mundo no qual se alastram o laicismo e um neo-paganismo desenfreado, e no qual Deus é cada vez mais o Grande Excluído”, prosseguiu o cardeal, o novo estilo de colaboração entre sacerdotes e leigos, inaugurado pelo Concíllio Vaticano II, traz consigo o desafio de “cada qual fazer sua parte”.

Em nossos dias, o florescimento de movimentos eclesiais e novas comunidades “suscita grande esperança”.

Tais movimentos dão forma a um “nós comunitário”, que passa a ser "um percurso pedagógico trilhado em comunhão, no qual todos estão envolvidos".

Por isso, os movimentos eclesiais e as novas comunidades tornaram-se as “verdadeiras oficinas” deste “novo estilo de colaboração” no serviço à missão evangelizadora da Igreja.

“O sacerdote deve saber acolher e interpretar a novidade destes novos dons carismáticos. Não devem ser vistos como um problema pastoral, mas como uma grande oportunidade de renovação de nossas comunidades paroquiais”.

O cardeal enfatizou ainda que "estes movimentos não concorrem com a paróquia, nem constituem uma alternativa às paróquias. Representam, ao contrário, uma grande oportunidade que deve ser aproveitada. Porque todo ambiente no qual se formam cristãos maduros e conscientes de suas próprias vocações é útil à causa da Igreja e da paróquia”.

E pediu: “de seus ministros, portanto, a Igreja espera sensibilidade e abertura a essas novas realidades".

“Por outro lado, o caráter essencialmente leigo destes movimentos eclesiais não suprime a necessidade de uma presença sacerdotal. Longe de representar uma clericalização, tal presença – sempre animada por uma sincera caridade pastoral – constitui um serviço prestado no pleno respeito à liberdade associativa dos fiéis leigos”.

Os movimentos eclesiais e as novas comunidades necessitam, assim, do “sábio, atento e paternal acompanhamento dos pastores. Trata-se de uma missão muito delicada, para a qual cada sacerdote deve se preparar de modo adequado”.

O cardeal se disse convencido de que o Ano Sacerdotal, que está sendo vivido na Igreja, representa “uma ótima oportunidade dada aos pastores de ouvirem com atenção aquilo que o Espírito Santo está dizendo à Igreja por meio destes dons carismáticos”.

“Para os cristãos cansados e desmotivados, e para as comunidades excessivamente voltadas para si mesmas, os movimentos lançam o desafio de uma Igreja corajosamente projetada em direção às novas fronteiras da evangelização”, concluiu.