Cardeal Rylko: persistente urgência de um «Novo Feminismo»

Abertura do Congresso Internacional do dicastério para os Leigos

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Por Marta Lago


ROMA, quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- É urgente a promoção de um «novo feminismo» que reconheça o «gênio feminino» e trabalhe pela superação de toda forma de discriminação, adverte o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos.

Quem se fez porta-voz da proposta de João Paulo II foi o cardeal Stanislaw Rylko, ao abrir hoje o Congresso internacional sobre o tema «Mulher e homem, a totalidade do humanum», que seu dicastério promove no XX aniversário da carta apostólica «Mulieris dignitatem».

Foi o primeiro documento do magistério pontifício dedicado por completo à mulher; mantém sua atualidade e é de reflexão obrigatória porque, como alertou o purpurado polonês, presenciamos diariamente a «rápida e profunda transformação dos modelos da identidade feminina e masculina, e da relação entre sexos».

São conseqüência de «novos paradigmas culturais»; entre eles, duas tendências dominantes do feminismo radical, o «empowerment», que pretende defender a identidade feminina «fazendo da mulher a antagonista do homem», e a «ideologia de gênero», que pretende suprimir a diversidade sexual, concebendo-a «exclusivamente como o resultado de condicionamentos sócio-culturais», apontou o cardeal Rylko.

Daí a difusão de identidades masculinas e femininas «extremamente confusas» – observou –, reflexo de uma modernidade sem pontos de referência que substitui a verdade com uma pluralidade de opiniões.

«Esta tendência ameaça e põe em questão particularmente a figura da mãe e do pai», portanto, «a instituição do matrimônio heterossexual e a família biparental», constatou.

Em concreto, alertou que «hoje está em andamento uma grande batalha pela pessoa humana, por sua dignidade e sua vocação transcendental, que se combate precisamente em torno da mulher, do conceito de feminilidade».

Consciente disso, o Pontifício Conselho para os Leigos leva anos companhando «com grande interesse tudo o que acontece no grande mundo feminino no âmbito cultural,social e também político», explicou o purpurado à Zenit posteriormente.

«Como dicastério que se ocupa precisamente dos leigos, estamos especialmente comprometidos ante este desafio que atualmente a Igreja, e sobretudo os leigos católicos, devem enfrentar, porque – insistiu – este desafio antropológico se dirige não só à Igreja em abstrato, mas justamente aos homens e às mulheres católicas.»

Certamente «é necessária uma denúncia da injustiça e da discriminação da mulher, uma denúncia do perigo destes novos paradigmas culturais, promovidos atualmente no mundo no âmbito global, mas sobretudo é necessário um testemunho», apontou.

Tal testemunho se deve traduzir em «um anúncio positivo de que vale a pena viver a própria identidade, masculina e feminina, segundo o plano de Deus, de que isso é belo e dá muita felicidade», afirmou à Zenit.

Em sua intervenção, o cardeal Rylko havia enfatizado o ensinamento de João Paulo II: «Feminilidade e masculinidade – dizia – são complementares entre si, não só desde o ponto de vista físico e psíquico, mas ontológico»; «graças à dualidade do masculino e do feminino o [ser] humano se realiza plenamente».

Nem «igualdade estática e homologante» nem «diferença abismal e inexoravelmente conflitiva»: a relação homem-mulher é natural e responde ao plano de Deus, que é a unidade dos dois «que consente a cada um – escrevia o falecido Papa – sentir a relação interpessoal e recíproca como um dom enriquecedor e de responsabilidade».

A pessoa «existe sempre e só como homem e mulher», acrescentava.

E foi o próprio João Paulo II que convidou os leigos «a tornar-se promotores de um 'novo feminismo'» que supõe «reconhecer e expressar o verdadeiro gênio feminino em todas as manifestações da convivência civil, trabalhando pela superação de toda forma de discriminação, de violência e de exploração», recordou o cardeal Rylko em sua intervenção.

A força moral da mulher – apontava o Papa Karol Wojtyla em «Mulieris dignitatem» – «se une à consciência de que Deus lhe confia de maneira especial o homem, o ser humano», e se precisa dessa sensibilidade por cada pessoa.

«Daí – apontou o purpurado – surge também um papel particular da mulher na evangelização da cultura.»

De quinta-feira a sábado, o Congresso Internacional – no qual estão representados 50 países dos cinco continentes –, com seus trabalhos, busca afirmar a necessidade de fundar em princípios sólidos, antropológicos e teológicos, toda reflexão orientada a contribuir para uma autêntica promoção da mulher na sociedade e na Igreja.

Bento XVI receberá a seus participantes no sábado.