Cardeal Tauran: não há espaço para a violência entre as religiões

De volta de Amã, ele afirma que o povo da Jordânia espera o papa independentemente do credo religioso e que o país é exemplar na liberdade religiosa

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 333 visitas

"Não há religião que não seja fonte de reconciliação, de harmonia e de paz. Em Amã, o papa é esperado com entusiasmo, independentemente do credo religioso", disse o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, ao voltar da capital da Jordânia. Ele participou de um encontro com líderes de várias religiões durante os preparativos da viagem do Santo Padre à Terra Santa, que começa neste sábado.

Em entrevista publicada pelo Osservatore Romano, o cardeal explica que a figura do papa "já é bem conhecida no país e atrai o interesse de todos já faz tempo". Tauran considera que "os muçulmanos esperam o papa realmente com entusiasmo" e que o Santo Padre é visto como portador de esperança, não só para a Jordânia, mas para todos os países do Oriente Médio em que ainda existe a guerra. O purpurado afirma que Amã "respira uma atmosfera alegre e muito positiva".

Abordando a questão dos cristãos vitimados pela violência, o cardeal explica que o seminário do qual participou abordou precisamente a relação que algumas correntes estabelecem entre religião e violência. Tauran observa que não há religião autêntica que pregue a violência: “Temos que entender que a religião, qualquer religião, é paz”. Ele especifica que a religião fala de amor, de fraternidade e de solidariedade, e que, de maneira nenhuma, pode justificar guerras e violências. "Neste sentido, a Jordânia é exemplar. Os cristãos aqui não são perseguidos nem ameaçados como em outras regiões. A liberdade é um bem considerado precioso e, portanto, garantido a todos".

Por outro lado, o presidente do dicastério para o Diálogo Inter-Religioso observa que o que une as três grandes religiões monoteístas é a consideração de que todos somos criaturas do mesmo Deus, um Deus único. Tauran recorda as palavras do papa Francisco ao conselho pontifício que ele dirige: "A Igreja deseja ser companheira de caminho de cada homem".

O purpurado explica que o encontro também tratou da educação. "Houve unanimidade em reconhecer o papel fundamental da educação na construção de uma sociedade baseada no respeito pelo outro, ou seja, na convivência". Tauran termina a entrevista observando que também houve convergência, no encontro inter-religioso, quanto ao fato de a família e a escola serem as instituições principais das quais se deve esperar uma educação sadia para as novas gerações.