Cardeal Turkson: "A paz é inclusiva e indivisível"

Purpurado fala aos líderes religiosos reunidos em Nagasaki

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 382 visitas

Durante um jantar com líderes de diferentes religiões em Nagasaki, no 68º aniversário do bombardeio nuclear, o cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, pronunciou um discurso em que definiu a segunda bomba atômica, de 9 de agosto de 1945, em Nagasaki, como uma “terrível ferida infligida ao povo do Japão e a toda a família humana”.

O cardeal recordou que, “de acordo com a fé católica, Deus criou o homem para a vida, para a liberdade e para a felicidade. Obviamente, é isto o que cada um de nós quer profundamente”.

Entretanto, “o nosso destino aqui na terra, na maior parte do tempo, parece que não consiste na liberdade e na felicidade, e sim no sofrimento. Confusos e desanimados, nós temos a tentação de passar pelo sofrimento como um castigo ou uma pena, como um cruel destino. Este sofrimento sem sentido, com o tempo, pode nos derrotar”.

Turkson, por isso, recordou as palavras do beato João Paulo II em viagem ao Japão, quando o papa se referiu ao sofrimento causado pela guerra, em particular pela bomba atômica, "como fruto do pecado humano e resultado do trabalho do demônio".

"Em vez de excluir quem sofre privações, vamos satisfazer as suas necessidades. Em vez de evitar aqueles que sofrem, vamos acompanhá-los. Em vez de nos lamentar pelo sofrimento, vamos oferecê-lo pelos outros. Em vez de nos esconder dos problemas de hoje, vamos juntos, com valentia, abordar as situações e as estruturas sociais que causam a injustiça e os conflitos. A paz e a sobrevivência da espécie humana irão em frente, unidas indissoluvelmente com o progresso, com o desenvolvimento e com a dignidade de todas as pessoas", exortou o cardeal, que também lembrou o papa João XXIII e a sua encíclica Pacem in Terris, lançada há cinquenta anos para propor "que a paz seja construída sobre bases sólidas". Papas posteriores não deixaram de recordar ao mundo que "a paz é inclusiva e indivisível: um segmento da população não pode desfrutar da paz enquanto outros estão sofrendo a exclusão, a miséria, a injustiça e a violência", completou.

Para finalizar o discurso, o presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz convidou "cada um de nós e as nossas comunidades de fé a honrar a memória de Nagasaki, colaborando em solidariedade para construir a verdadeira paz".