Cardeal Vallini: Aprendemos da sua pessoa como amar a Cristo e a Igreja

Bento XVI no encontro anual com o clero romano

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 1755 visitas

O encontro do papa com o clero de Roma, como em todos os anos, acontece no início da quaresma. O de ontem foi na Sala Paulo VI, devido à quantidade de religiosos presentes. Em meio a aplausos calorosos e muitos "viva o papa!", entrou Bento XVI: “Obrigado pelo afeto e pelo seu amor à Igreja e ao papa”, disse ele.

Neste encontro, o papa falou como numa conversa informal, sem anotações. Durante aproximadamente quarenta e cinco minutos, percorreu suas lembranças e experiências do concílio Vaticano II.

“Embora me retire, permanecerei em oração, perto de todos vocês, e tenho certeza de que todos vocês estarão perto de mim, mesmo que, para o mundo, eu fique escondido". Depois dos aplausos, Bento XVI escutou as palavras do cardeal Agostino Vallini.

O cardeal, em nome dos bispos, párocos, religiosos, vigários, sacerdotes, capelães e diáconos, disse ao papa: “Apresentamos a Sua Santidade uma saudação comovida e um grande afeto filial”.

“Permita-me, santo padre, confidenciar que nesta manhã nós temos no coração sentimentos de alguma forma semelhantes aos dos anciãos de Éfeso, chamados por Paulo até Mileto para escutarem, antes da sua partida para Jerusalém, as suas palavras de despedida”.

E o cardeal citou a frase evangélica: “Sabeis como me portei... Servi ao Senhor com toda a humildade, entre lágrimas e provações; dando testemunho… para a conversão a Deus e a fé no Senhor Jesus... Todos caíram em pranto e, lançando-se ao abraço de Paulo, o beijavam”.

Enquanto Vallini lia, as câmeras de televisão enfocavam os rostos profundamente emocionados de quem estava presente.

“Sim, santo padre. Não lhe escondemos que, em nosso ânimo, se mistura um conjunto de sentimentos: tristeza e respeito, admiração e lamento, afeto e ufania. Em meio a tudo isto, adoramos a vontade de Deus e acolhemos da sua amada pessoa o ensinamento de como se ama e se serve a Cristo e à Igreja. Ao seu discreto e forte exemplo de vida, ficaremos ligados para sempre”.

O vigário do papa para a diocese de Roma prosseguiu: “Sua Santidade nos ensinou muitas coisas para sermos discípulos fidedignos de Cristo e bons pastores”, com a sua “fé indomável e cheia de coragem, a humildade no serviço, a paixão pela verdade no seu empenho de anunciar o evangelho num mundo que precisa da reproposição da fé, assim como o cuidado dos fracos e dos pobres que Sua Santidade sempre defendeu e ajudou. (...) Uma elevada visão da vida sacerdotal, que supera as visões minúsculas que algumas vezes podem insinuar-se entre nós”.

“Desejo assegurar-lhe”, concluiu o cardeal romano, “que o seu magistério sempre foi acolhido pelos seus sacerdotes como um tesouro. Nós estamos vivendo o Ano da Fé como um poderoso convite a uma renovada conversão ao Senhor e com intensidade interior e renovada disponibilidade de pastores para servir ao povo de Deus”.