Carismas em comunhão em resposta aos desafios espirituais e sociais do Brasil

Maria Voce e Giancarlo Falettti são acolhidos por Moisés, fundador do Shalom, Nelson, que com Frei Hans fundou a Fazenda da Esperança, padre Renato Chiera, da Casa do Menor, a superiora do convento das Carmelitas e a superiora das Beneditinas.

São Paulo, (Zenit.org) Carla Cotignoli | 333 visitas

È uma experiência única de comunhão a do CEU (Condomínio Espiritual Uirapuru). No coração de Fortaleza, capital do Ceará, convivem 22 comunidades nascidas de carismas antigos e novos, para dar uma resposta aos mais diferentes desafios espirituais e sociais da cidade. Foi aqui que chegaram nesta terça-feira (1), Maria Voce, presidente internacional do Movimento dos Focolares e o copresidente Giancarlo Faletti, na última etapa da viagem ao nordeste do Brasil, antes de prosseguir para Belém.

No salão de entrada do hotel presente no CEU, administrado pelas irmãs Dorotéias, Maria Voce e Giancarlo Falettti são acolhidos por Moisés, fundador do Shalom, Nelson, que com Frei Hans fundou a Fazenda da Esperança, padre Renato Chiera, da Casa do Menor, a superiora do convento das Carmelitas e a superiora das Beneditinas. Isso para citar somente alguns dos fundadores e responsáveis das comunidades que construíram suas casas no vasto terreno chamado Fazenda Uirapuru. Esse é o nome da propriedade doada pelo Sr. Benedito Macedo, situada em Fortaleza, no nordeste do Brasil. Com essa doação, ele sonhava em contribuir para a solução das chagas sociais dessa região. 

Conhecido pela beleza das suas características naturais, o Ceará não é diferente dos outros estados do Brasil, com o grave desequilíbrio social, gerando pobreza, má qualidade da educação e da saúde básica. Esses fatores favorecem o tráfico e consumo de drogas, prostituição, Aids, violências, abandono. No CEU nasceu o "Caminho" que abre para os ex-presidiários perspectivas de uma reintegração social; os portadores de HIV descobrem um novo amanhã no Sol Nascente; as meninas e adolescentes descobrem a sua dignidade no Lar Santa Mônica. Jovens descobrem o fascínio da contemplação na via aberta pelo Carmelo ou pelo Mosteiro das beneditinas. A relação seria longa.

"Todos nós estamos aqui em resposta a um duplo chamado: — nos fala a Madre Bernadete, superiora do Carmelo — o chamado do nosso carisma e o de ser uma imagem viva da Igreja da unidade, para testemunhar a fecundidade e a riqueza da comunhão entre os vários carismas". 

Tudo isso vem em luz nos testemunhos que são apresentados no auditório, lotado com a presença dos moradores do CEU. Estava presente também o arcebispo de Fortaleza. D. José Antônio Aparecido Tosi Marques. Era um encontro muito esperado, marcado por um sofrimento: dois dias antes Frei Hans, o primeiro promotor desse convite, e primeiro a dar vida a essa experiência de comunhão, sofreu um infarto. Mesmo assim, quis dar as boas vindas aos dois convidados com uma breve mensagem gravada em vídeo. Logo em seguida Moisés, na sua intervenção, definiu o CEU como "fruto de um plano de Deus", "um pulmão espiritual" para a cidade de Fortaleza. 

"Aqui eu vi algo de grande" — comovida falou Maria Voce. Ela também, como já tinha falado Frei Hans na sua mensagem, trouxe a memória o fato histórico que deu início ao caminho de comunhão entre os movimentos: o encontro na Praça São Pedro em Roma, em 1998. Apresidente dos Focolares reconheceu no CEU "uma atuação daquele convite à unidade lançado pelo papa João Paulo II e da promessa de um empenho de Chiara Lubich”.

E aqui evidenciou outro aspecto da novidade sem precedentes que apresenta o CEU: o fato que muitas comunidades, cada uma com o próprio carisma, encontram no espírito de unidade do movimento dos Focolares um alimento para a própria comunidade do qual desejam alimentar-se para viver o difícil caminho de comunhão entre os diferentes carismas. É esse o motivo do convite.

"Nesta experiência — complementou Giancarlo Faletti — existe uma força única, a força da unidade" e definiu a experiência do CEU como "um modelo para a Igreja". As últimas palavras ficaram para o arcebispo de Fortaleza: "Este é um caminho de unidade que Deus quer para o bem da nossa Igreja e da sociedade". E invocou que Deus enviasse "muita força para tudo aquilo que se está operando".