Cáritas aposta no emprego como resposta à crise

Jorge Rosell, vice-presidente da Cáritas Espanhola, recolhe propostas de um congresso

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MADRI, sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- É necessário responder à crise econômica atual promovendo o emprego como instrumento de integração social, considera a Cáritas, organização de ajuda da Igreja Católica. 

Assim explicou nesta quinta-feira Jorge Rosell, vice-presidente da Cáritas Espanhola, na sessão de encerramento do Encontro Nacional de Emprego que ao longo de três dias reuniu na localidade madrilena de El Escorial mais de 150 especialistas dos Programas de Emprego das Cáritas diocesanas de todo o país. 

«Em momentos de destruição de emprego, como o atual – afirmou Rosell –, a Cáritas renova sua aposta no emprego como elemento privilegiado, mas não único, de integração social e como principal meio para que as pessoas em situação de vulnerabilidade ou exclusão social alcancem maiores cotas de integração social e possam levar a cabo processos de recuperação pessoal.»

Rosell recordou que «favorecer o emprego das pessoas mais vulneráveis através de fórmulas criativas supõe concretizar a oportunidade que muitas delas necessitam e responder ao pedido dos mais necessitados». 

Nesse sentido e em vista dos graves efeitos da crise econômica nos coletivos em situação trabalhista precária, o vice-presidente da Cáritas Espanhola assegurou que «é hora de exigir dos responsáveis públicos que tenham como prioridade aplacar a severa incidência da crise nas pessoas em situações mais vulneráveis», assim como «de integrar medidas de proteção social, de oferecer serviços de qualidade frente às necessidades das pessoas e de articular medidas que possibilitem avançar nos itinerários de inserção sócio-trabalhista dessas pessoas». 

Em sua intervenção, Rosell exortou os participantes do Encontro a «melhorar a qualidade de nossos serviços de emprego, a discernir quais são nossas prioridades, a aperfeiçoar as metodologias de trabalho, a sistematizar os modelos de intervenção e, em definitivo, a dar respostas eficazes e eficientes que não esqueçam de colocar a pessoa no centro, como protagonista de seu processo de inserção». 

E recordou a necessidade de estreitar os espaços «de colaboração e coordenação entre todos os agentes envolvidos: a administração, os agentes sociais, a sociedade civil e, certamente, cada uma das pessoas que sofrem em primeira pessoa a crueza do desemprego». 

Avanço de conclusões 

Entre as constatações do Encontro que se puseram em comum na sessão final realiada na quinta-feira, os participantes alertam que nos encontramos em uma situação não tanto conjuntural de crises, mas estrutural, que vai ser um longo percurso e que questiona as estruturas do modelo econômico e social vigente. 

Apesar disso, a partir da Cáritas, pretende-se enfrentar este fracasso do modelo como uma oportunidade para propor novos valores, novos modelos de produção e de redistribuição e, portanto, de emergência de um novo paradigma de sociedade coesa. 

Além de renovar a opção de Cáritas pelos mais frágeis, os participantes constataram que, ainda que não esteja nas mãos dos Programas de Emprego da Cáritas anexar os problemas estruturais do desemprego, é prioritário focalizar a ação de inserção e promoção naquelas pessoas para quem a crise tem efeitos mais severos. Nesta linha, no Encontro se exigiu da administração que assuma sua responsabilidade, desde um questionamento da validade das políticas de redistribuição e coesão social, e depois de constatar a distância abismal entre a aposta no crescimento econômico e o esforço por erradicar a pobreza e as desigualdades sociais. 

Em concreto, os participantes propõem que os recursos sociais existentes se orientem adequadamente. Para isso, é preciso não só reforçar as políticas de proteção social e de emprego, mas que estas deixem de utilizar caminhos paralelos e que se dirijam à adoção de medidas como o salário cidadão, sobretudo para aquelas pessoas para quem o emprego será de muito difícil acesso. 

Desta forma, reafirmou-se o modelo de trabalho em rede liderado pela Cáritas, caracterizado por uma descentralização dos serviços de emprego e o envolvimento de toda a comunidade. Junto a isso, no Encontro se sublinhou o trabalho no campo do emprego como um dos eixos da ação de Cáritas, pelo que se chamou a atenção sobre a necessidade de que esteja acompanhado de intervenções em questões como moradia, saúde, educação e proteção social.