Cáritas lamenta escassos compromissos da Rodada Doha

A reunião deveria avançar na erradicação da pobreza

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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 3 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- A federação mundial de ajuda católica, Cáritas Internacional, lamentou os escassos compromissos assumidos na Rodada Doha para erradicar a pobreza. 

«A cada minuto morre uma mulher ao dar à luz e a cada três segundos morre uma criança. Isso se poderia evitar com um esforço adicional de 1 bilhão de dólares ao ano. Os pobres não podem aguardar por mais tempo a que alguém se decida a agir», afirma em um comunicado enviado à Zenit.

«Quando foi possível dispor em poucas horas de bilhões de dólares para ir em resgate do sistema bancário, é moralmente injustificável permitir que tantas mulheres e crianças continuem morrendo por causas evitáveis», acrescenta. 

O comentário é respaldado pelo representante da Cáritas Internacional na Rodada Doha, Michel Roy, que denuncia que o encontro se encerrou sem ter adotado nenhuma medida nem compromisso de urgência para ajudar os milhões de pessoas que vivem na pobreza absoluta. 

Decisões eficazes e participativas

«Para enfrentar a crise global – afirmou Roy –, o mundo precisa de decisões eficazes e participativas, que não podem ser adotadas unicamente pelos países ricos, sejam 8 ou 20, porque suas preocupações costumam girar unicamente em torno da defesa de seus próprios interesses antes que os dos milhões de pobres que existem no mundo.»

Por esse motivo, a Cáritas Internacional elogiou a decisão adotada em Doha de convocar uma reunião de alto nível sobre a crise financeira e econômica, e seu impacto sobre o desenvolvimento dos países mais vulneráveis. 

Para Michel Roy, essa foi «a única medida que inclui todos os países que fazem parte das Nações Unidas». 

Os participantes da Rodada Doha propuseram ao presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas que assuma a preparação dessa reunião, que poderia acontecer em março de 2009, antes da próxima reunião do G20 em Londres. 

Neste sentido, a Cáritas Internacional expressou seu apoio ao trabalho do grupo de especialistas criado pelo presidente da Assembléia Geral para colocar em dia os temas da citada reunião e que, na opinião de Michel Roy, «poderia abordar uma profunda reforma dos organismos de Bretón Woods para adaptá-las à situação atual». 

Para o representante da Cáritas em Doha, «a decisão de realizar esta reunião supõe uma esperança para os países pobres, ao permitir-lhes participar de maneira ativa na construção de um mundo democrático e justo, em um momento no qual o velho modelo, exclusivamente orientado ao máximo benefício, mostra suas falhas». 

«É o momento – acrescentou – de situar o ser humano no centro do desenvolvimento da humanidade.»