Caritas Líbano ajudou mais de 20 mil refugiados sírios

Presidente da associação comenta condições trágicas do povo sírio e forte impacto da visita do papa ao país

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ROMA, quinta-feira, 20 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - O objetivo da visita de Bento XVI ao Líbano foi levar a paz a pessoas cujas vidas têm sido alvo de conflitos e de violência. Durante a visita, o papa reafirmou a sua proximidade ao povo da Síria e às milhares de pessoas que cruzaram a fronteira para se refugiar no país vizinho.

A Caritas do Líbano, fundada há 36 anos, faz parte da família da Caritas Internationalis, a agência do Vaticano destinada a ajudar milhões de pessoas que se encontram em dificuldades ao redor do mundo.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o pe. Simon Faddoul, presidente da Caritas Líbano, falou sobre o impacto da visita do papa ao país. "Quando o avião ainda estava pousando, já era visível que o clima tinha mudado: estávamos mais unidos e mais próximos".

“Eu acho que o Santo Padre, com esta visita, quis unir o país inteiro", observou Faddoul, ressaltando o fato de que milhares de pessoas de diferentes religiões e de todo o país estiveram presentes: "É um grande resultado".

O padre declarou ainda que o papa "sempre plantou esperança nos corações e nas mentes", em particular dos jovens. No encontro em Bkeké, "o céu se abriu, eu senti pessoalmente ", disse ele, acrescentando: "Havia cristãos, muçulmanos e pessoas de todos os tipos. Eu tinha a sensação de que era algo semelhante ao Pentecostes".

Como presidente da Caritas Líbano, o pe. Faddoul também falou das muitas dificuldades dos últimos 16 meses, decorrentes do afluxo de refugiados da Síria, inicialmente concentradas em áreas do norte e agora espalhados por todo o país. "Eles vêm porque querem e precisam de abrigo".

Muitos refugiados, explicou o padre, "foram em busca de parentes ou de conhecidos no país, porque não existe um lugar que acolha imigrantes sírios. A construção desse lugar depende de uma decisão do governo do Líbano".

As dúvidas a respeito de tal construção vêm do fato de que "os campos construídos para os palestinos em 1948 estão ativos até hoje". A questão, portanto, é "a ideia que se quer passar às pessoas: os campos vão durar apenas o tempo necessário ou vão se tornar uma solução permanente?".

Faddoul declarou, ao terminar a entrevista, que a Caritas do Líbano já ajudou mais de 20.000 refugiados com alimentos, produtos de higiene e colchões. Contribuíram várias filiais dos EUA e da Europa. "Estamos estudando a possibilidade de criar uma infraestrutura básica para os refugiados, para que eles tenham esperança e uma vida normal".