Cáritas: um milhão e meio de lares espanhóis sofre exclusão social severa

Documento "Análise e Perspectivas 2014" evidencia cenário social de pobreza crescente

Madri, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 345 visitas

Pelo menos um milhão e meio de lares espanhóis sofrem uma situação de exclusão social severa: o número é 69,8% maior que em 2007, conforme destacado pela Cáritas Espanhola no estudo “Análise e Perspectivas 2014”, da Fundação FOESSA, apresentado nesta quinta-feira em Madri.

"É urgente uma aposta firme na coesão social", declarou Francisco Lorenzo, coordenador da equipe de estudos da Cáritas, que também alertou: "Se não agirmos agora, as consequências serão mais graves dentro de poucos anos".

Lorenzo, que se mostrou otimista com a superação desta situação mediante "políticas redistributivas que favoreçam os mais afetados", propôs ainda uma possível solução para eliminar por completo a exclusão severa no país.

"Com 2,6 bilhões de euros, a exclusão severa poderia ser eliminada na Espanha. É menos que o valor necessário para a recuperação das rodovias", comparou o especialista.

Guillermo Fernández, técnico da equipe de estudos da Cáritas, convidou as principais forças políticas a "lançar um pacto de Estado contra a pobreza".

A exclusão social severa afeta mais de cinco milhões de pessoas na Espanha, um aumento de 82,6% em comparação com 2007. O informe também indica que 11,7 milhões de pessoas no país são afetadas atualmente por diversos processos de exclusão social. São 4,4 milhões a mais que em 2007, um aumento de 60,6%, qualificado como "enorme" pela organização social e caritativa da Igreja e causado pela deterioração de três pilares do bem-estar social: o emprego, a moradia e a saúde.

Apesar de a crise econômica ter provocado um aumento da exclusão social e da precariedade, os especialistas observam que o estudo também reflete a melhoria de alguns aspectos sociais, como "o fortalecimento das relações familiares e a redução do isolamento".