Carta aos catequistas

Da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)

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BRASÍLIA, sexta-feira, 24 de agosto de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a Carta aos catequistas assinada por Dom Eugênio Rixen, bispo de Goiás e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O texto foi difundido pelo organismo episcopal esta sexta-feira.




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“Procura com grande zelo nunca te esqueceres de tudo o que teus olhos viram. Nada disso se afaste do teu coração, por todos os dias da tua vida, mas ensina-o a teus filhos e netos”
(Dt 4, 9)

Queridos catequistas,

Com alegria e gratidão, neste dia (26 de agosto) dedicado aos catequistas, quero parabenizá-los pela bonita e importante missão que desempenham na ação evangelizadora da Igreja. São milhares espalhados pelo Brasil, dedicados a anunciar e testemunhar Jesus Cristo e a sua proposta do Reino. Uma mesma paixão nos une: Continuar a missão iniciada por Ele - “Ide fazer discípulos entre todas as nações e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 19-20). Recordo aqui as palavras do Papa Bento XVI, no seu discurso aos jovens, destacando a importância da catequese na transmissão dos valores da fé, afirmando: “para perceber o bem necessitamos de auxílios, que a Igreja nos proporciona em muitas oportunidades, principalmente pela catequese. Jesus mesmo explicita o que é bom para nós, dando-nos sua primeira catequese”.

O catequista é, antes de tudo, um discípulo e missionário de Jesus Cristo. É alguém que foi seduzido por ele e que se deixou seduzir. Por isso, procura viver na sua proximidade e intimidade. Nossa catequese deve propiciar este encontro com Jesus através da partilha da Palavra, dos momentos de oração e da vivência fraterna. A fé, mais do que um conjunto de conhecimentos é, antes de tudo, um encontro com o Bem-Amado. É desta relação amorosa que os catequizandos precisam viver. Recordo as palavras do Papa Bento XVI, onde diz que um grande meio para introduzir o povo de Deus no mistério de Cristo é a catequese. Nela se transmite de forma simples e substancial a mensagem de Cristo. Será necessário, portanto, intensificar a catequese e a formação na fé de crianças, jovens e adultos. A reflexão madura da fé é luz para o caminho da vida e força para ser testemunhas de Cristo (Cf. Discurso do Papa Bento XVI na Abertura da V Conferência de Aparecida).

O amor pelo Mestre leva os catequistas a seguir a sua mensagem numa comunidade fraterna. Mesmo se a fé é uma decisão pessoal, ela só cresce na convivência com os outros. A experiência de uma comunidade de fé e de amor é fundamental para quem quer ser discípula/o de Jesus. A catequese não pode ser vivida de maneira isolada. A comunidade é fonte, lugar e meta da catequese.

Desde já convidamos você catequista a preparar o “Ano Catequético Nacional” em 2009. Como os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), queremos aquecer nossos corações, ouvindo as Sagradas Escrituras e reconhecer o Cristo Ressuscitado no meio de nós na partilha do pão e da Eucaristia. A Palavra de Deus está no centro de nossa catequese e a participação na Missa nos ajuda a viver, na própria vida, o mistério pascal.

O zelo apostólico do catequista o leva a ser missionário. Não podemos guardar para nós o tesouro que recebemos. Num mundo marcado por tanta confusão ideológica e religiosa precisamos anunciar e testemunhar Jesus Cristo, cujo conhecimento é a plena realização do ser humano. Faço eco das palavras do Papa Bento XVI, ao recordar que os catequistas são colaboradores competentes dos bispos e merecedores de confiança, e também não são simples comunicadores de experiência de fé, mas devem ser autênticos transmissores das verdades reveladas (cf. Discurso aos bispos do Brasil).

Mais do que nunca, a nossa catequese é chamada a transformar a realidade na qual vivemos. “Será também necessário uma catequese social e uma adequada formação na Doutrina Social da Igreja” (discurso do Papa Bento XVI na abertura da Vª Conferência). A Campanha da Fraternidade deste ano nos alertou sobre os problemas e as possibilidades da Amazônia. A catequese não pode ficar alheia aos problemas atuais. Pelo contrário, deve lançar as luzes da fé sobre as angústias e as esperanças das pessoas e do mundo de hoje. A verdadeira fé nunca se acomoda, mas vive na esperança que um outro mundo é possível.

Que a Vª Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, nos ajude a ser “discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nele os nossos povos tenham vida”.

Parabéns a você catequista, e que Deus o mantenha firme neste ministério!

Dom Eugênio Rixen
Bispo de Goiás
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB