Carta do cardeal De Paolis sobre "Regnum Christi" após visita apostólica

Primeiras orientações para enfrentar desafios exigentes

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 21 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a carta do delegado pontifício para a Legião de Cristo e o Movimento Regnum Christi, cardeal Velasio De Paolis, com as primeiras conclusões sobre o caminho dos membros consagrados do Regnum Christi após a visita apostólica.

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Roma, 15 de outubro de 2011

Queridos Legionários, consagrados y consagradas do Regnum Christi:

Na sua visita apostólica, realizada de janeiro a junho de 2011, Sua Excelência Mons. Ricardo Blázquez, arcebispo de Valladolid, se encontrou, nos diferentes países, com quase todos os membros consagrados do Regnum Christi, seja em reuniões de grupo, seja em colóquios pessoais; também recebeu numerosas comunicações escritas. A inícios do mês de setembro, ele entregou seu informe ao Delegado Pontifício.

No seu momento poderemos examiná-lo e dedicar-lhe toda a atenção necessária para compreendê-lo e para fazer o que se considere necessário em vista a uma revisão dos Estatutos, que regulam a vida consagrada no Regnum Christi, e da práxis vivida. Eu fiz, junto com o meu Conselho, uma primeira leitura, necessariamente rápida, do informe. Posteriormente, em um encontro conjunto com legionários e pessoas consagradas no Regnum Christi, houve também um intercâmbio de reflexões, que ainda se deverá aprofundar.

Da visita apostólica se desprende, como dado positivo, que a nível pessoal os membros consagrados estão agradecidos pela sua vocação e vivem com alegria sua consagração a Deus conforme os conselhos evangélicos, conscientes de que oferecem um serviço precioso à Igreja com a sua abnegação.

Ao mesmo tempo, emergem da visita múltiplas questões a nível institucional, com conseqüências na vida pessoal e comunitária, que, já à primeira vista, apresentam metas exigentes. Teremos que tratá-las com as pessoas que são as primeiras interessadas, ou seja, as pessoas consagradas, pois se trata de sua vida. Ao mesmo tempo, não se pode esquecer também de sua história, intimamente ligada à da Legião.

No geral se percebe um juízo positivo sobre a relação entre a Legião e as pessoas consagradas no Regnum Christi pelos bons frutos que se deu no apostolado, os quais se agradece ao Senhor. Ao mesmo tempo se observam também não poucos pontos que requerem uma clarificação e que talvez se deva reformulá-los. Em particular, emerge da visita apostólica que está bastante difundido entre as próprias pessoas consagradas o desejo de uma justa autonomia, que as pessoas consagradas devem gozar e que lhes correspondam como forma associativa na Igreja. No informe do Visitador não se especifica o alcance desta justa autonomia, mas certamente deverá implicar que as consagradas e os consagrados tenham responsabilidade na organização e no governo da sua vida pessoal, comunitária e apostólica. A questão da autonomia aparece unida também à natureza jurídica do grupo das pessoas consagradas, e ao alcance e relevância jurídica da consagração na profissão dos conselhos evangélicos. Por tanto, se trata, por uma parte, de manter um vínculo na participação, apesar de diferenciada, no mesmo carisma, espiritualidade e apostolado, conservando um tesouro precioso que herdaram; e, por outra parte, de encontrar uma configuração adequada, que corresponda ao direito canônico, para custodiar, promover e desenvolver melhor esse tesouro.

Começa, pois, um período de grande empenho para estudar as diferentes questões que surgirão, na medida em que se reflexione sobre o informe do Visitador Pontifício e se inicie a revisão dos Estatutos. Será preciso encontrar também um modo e um caminho adequados, que garantam uma reflexão séria, apropriada e decisiva de algumas questões fundamentais com o empenho de todos os protagonistas, conforme a responsabilidade de cada um, tanto a nível individual como coletivo. Enquanto se inicia o estudo sobre a condição das pessoas consagradas no Regnum Christi, podem resultar úteis, já desde agora, algumas disposições, ainda que sejam provisórias:

1. Este caminho se desenvolverá sob a responsabilidade do Delegado Pontifício para a Congregação dos Legionários de Cristo, assessorado por seus conselheiros pessoais.

2. Na espera de novas disposições, e salvo quando se especifica em casos concretos, os Estatutos do Regnum Christi aprovados pela Santa Sé em 26 de novembro de 2004 seguem em vigor. O superior geral dos Legionários conserva para a vida ordinária a autoridade sobre as pessoas consagradas conforme as normas atuais contidas em tais Estatutos. Não obstante, todas as decisões de importância relacionadas com as consagradas e consagrados do Regnum Christi, particularmente as admissões de novas pessoas consagradas, as mudanças de destino, as nomeações e as demissões ou dispensas das promessas, requererão a aprovação do Delegado Pontifício, depois de ouvir o parecer da assistente geral das consagradas e do assistente geral dos consagrados.

3. Suspende-se a figura de um sacerdote delegado do diretor geral e [de um sacerdote delegado] dos diretores territoriais para as consagradas do Regnum Christi[1]. Pelo momento, as funções até o presente exercidas pelo delegado do diretor geral passam aos assistentes gerais das consagradas e dos consagrados, auxiliados por três conselheiros. As dificuldades que pudessem surgir se deverão tratar com o Delegado Pontifício.

4. Tudo o que se estabeleceu para os Legionários de Cristo com relação à direção espiritual, ao sacramento da penitência, à correspondência e ao uso de Internet e à proteção da consciência no diálogo com os superiores se aplica também às consagradas e aos consagrados do Regnum Christi. Em quanto ao sacramento da penitência e à direção espiritual, também se reconhece às consagradas e aos consagrados plena liberdade na eleição dos confessores e dos diretores espirituais, assim como o manifestar a sua consciência às diretoras, a seus diretores e ao diretor geral dos Legionários (cf. Canon 630 do Código de Direito Canônico). Por tanto, as diretoras e os diretores deverão prover com prontidão para que as consagradas e os consagrados tenham à disposição suficientes confessores ordinários e extraordinários idôneos e que também sempre figurem entre eles sacerdotes que não pertençam à Legião de Cristo. Além disso, deverá ter-se presente o que estabelece o Canon 991: “Todo fiel tem direito de se confessar com o confessor legitimamente aprovado que preferir, mesmo que seja de outro rito”.

Todos –Consagradas, consagrados, legionários de Cristo– estão chamados a colaborar, nas modalidades que se explicitarão mais adiante. Desde já se pode enviar ao Delegado as sugestões e propostas para o caminho de revisão que se apresenta.

Exorto-lhes a iniciar e recorrer o caminho de reflexão pessoal e comunitária em um ambiente de oração, diálogo e respeito para que se realize a bela realidade da vida consagrada no Regnum Christi na Igreja. Desejo a todos todo bem no Senhor e invoco a benção de Deus, com a abundância de seus dons.

Devotíssimo,

Velasio Cardeal De Paolis, C.S., Delegado Pontifício

[Tradução: Legionários de Cristo]

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[1] Nota do tradutor: Na terminologia dos ERRC “o sacerdote delegado para as consagradas do Regnum Christi” se chama respectivamente “o delegado do diretor geral para o apostolado na rama feminina” (n. 644) e “o assistente do diretor territorial para a área da vida consagrada feminina” (nn. 702-703).