Catequese de adultos: a iniciação cristã dos adultos (II)

Provocar o discernimento, pela fé, diante do relativismo proposto pela mídia.

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 629 visitas

Como havíamos abordado no artigo anterior, trabalharemos agora com a iniciação cristã de adultos. A catequese, já de algum tempo, não vem criando vínculo com a Igreja. Sua metodologia está bem ultrapassada. É consenso entre vários agentes catequéticos que ela está superada. Como abordamos nos primeiros artigos, é precioso priorizar a catequese com adultos e redescobrir sua transmissão.

ADULTOS COMO PRIMEIROS INTERLOCUTORES DA MENSAGEM CRISTÃ

Repisando o mesmo lugar: a prioridade deve ser os adultos. Ainda não investimos nisso. Todos sabem, mas poucos fazem! A maioria das paróquias não direciona a catequese para os adultos. Há uma mistura com a catequese infantil que é mais voltada para a doutrinação sacramental, do que para iniciação na vida eclesial.

O Diretório Nacional da Catequese, em seu número 181, deixa clara essa prioridade catequética com os adultos: “Os adultos são, no sentido mais amplo, os interlocutores primeiros da mensagem cristã. Deles depende a formação de novas gerações cristãs, através do testemunho da família, no mundo social e político, no exercício da profissão e na prática da vida da comunidade”.

E a Catequese Renovada continua com essa exigência: “É na direção dos adultos que a evangelização e a catequese devem orientar seus melhores agentes. São os adultos que assumem mais diretamente, na sociedade e na Igreja, as instâncias decisórias e mais favorecem ou dificultam a vida comunitária, a justiça e a fraternidade. Urge que os adultos façam uma opção mais decisiva e coerente pelo Senhor e sua causa, ultrapassando a fé individualista, intimista e desencarnada” (CR, 130).

RESTAURAÇÃO DO CATECUMENATO

Com a capacitação de catequistas para a formação adulta de adultos, retoma-se o primado catequético voltado para a realidade de uma época em processo de mudanças. O itinerário para essas renovações na catequese já fora traçado pelo Concílio Vaticano II, em vários documentos. A constituição sobre a Liturgia usa uma instrução imperativa: “Restaure-se o catecumenato dos adultos dividido em diversas etapas, introduzindo-se o uso de acordo com o parecer do Ordinário do local. Desta maneira, o tempo do catecumenato, estabelecido para a conveniente instrução, poderá ser santificado com os sagrados ritos a serem celebrados em tempos sucessivos” (n.64).

O Concílio Vaticano II evoca, a exemplo da iniciação dos cristãos na Igreja primitiva, a necessidade de se criar ambiente para maturidade na fé, pela instrução, dando tempo para que suas etapas sejam assimiladas, compreendidas, serem vividas e testemunhadas. É o momento de aprofundamento no mistério do Deus que se revela.

São dois aspectos bem distintos que se completam, nesse itinerário:

 INSTRUÇÃO COMPLETA.

 A fase de iniciação cristã é prioritária. Já abordamos, em artigos anteriores, sobre a catequese que não inicia e nem dá continuidade. Este período deve primar pela catequese bíblica, porque ela é fonte da catequese (cf. CT, 27), como Deus se revela                                                                                                         para remir a humanidade, no seguimento de Jesus, pois “já se cumpriu o tempo e Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15). A catequese sobre a Igreja e sua missão, como dispensadora dos tesouros celestiais. A instrução é para “reforçar a opção pessoal por Jesus Cristo, estimular e educar para a prática da caridade, na solidariedade e na transformação da realidade, julgando com objetividade e à luz da fé as mudanças socioculturais da sociedade” (cf. DNC, 183).  Essa instrução, além de aprofundar no mistério de Cristo, deve provocar o discernimento da fé diante do relativismo proposto pela mídia. “O que antes era certeza, até bem pouco tempo, servindo como referência para viver, tem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas” (DGAE 2008-2010, 13) Discernir entre o que a reta doutrina ensina e o que é pregado pelo mundo, oferecendo verdadeiros parâmetros para escolha. Se hoje muitos aceitam passivamente o desmonte da família é porque não conhecem a sua vocação e finalidade, como foi instituída pelo Criador.  Se a corrupção está penetrando em todos os níveis da sociedade, é porque a escala de valores está sendo relativizada e não há quem a conteste. A instrução é uma catequese inculturada em mudança de épocas. Ela não pode ser só transmissão de doutrina, mas de empatia que provoque a conversão, não pode ser um verniz, mas uma pigmentação que penetre na consciência.  A instrução é permanente.

A FÉ E A IGREJA.

A Palavra de Deus alimenta a fé e faz Igreja. O Papa Francisco, em Evangelium Gaudoum, 171, cria uma linha de consenso que pode ser aplicada à catequese, estabelecendo uma praxe entre pedagogia da Palavra e mistagogia catecumenal, quando exorta: “Uma pedagogia que introduza a pessoa passo a passo até chegar à plena apropriação do mistério. Para se chegar a um estado de maturidade, isto é, para que as pessoas sejam capazes de decisões verdadeiramente livres e responsáveis”.

Uma pedagogia catequética que se fundamentada na Palavra de Deus para alimentar a fé e formar Igreja, gerando uma comunidade responsável e participativa: “Toda evangelização está fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial. A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária” (EG, 174).

Deste modo se conclui que a atividade catequética é ministérioda Palavra, serviço à evangelização, comunicação da mensagem cristã.  É a base da iniciação à vida cristã e de educação desta mesma vida iniciada, amadurecimento da fé nas das comunidades eclesiais para o serviço ao mundo. Por isso, a catequese é ação da igreja, expressão da realidade eclesial e momento essencial da sua missão, elemento fundamental para a renovação da igreja.

Com Papa Francisco compreendemos toda atividade catequética, toda forma de serviço eclesial à Palavra de Deus dirigida ao amadurecimento pessoal da vida cristã, mediante e dentro da comunidade eclesial, porque “O mandato missionário do Senhor inclui o apelo ao crescimento da fé, quando diz: “ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado” (Mt 28, 20). Daqui se vê claramente que o primeiro anúncio deve desencadear também um caminho de formação e de amadurecimento” (EG 160).

Toda atividade catequética alicerça origina-se na Sagrada Escritura, por isso, ela se afirma em um momento significativo dentro do processo global de evangelização.