Catequese de Adultos: Construindo caminhos catequéticos

Existe um começo que não tem fim

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 812 visitas

A catequese tem um início que leva ao encontro com Jesus Cristo, mas o seu percurso é sempre uma abertura para novos encontros. É um percurso que evoca aprendizagem da verdade. Abre espaço à pessoa, à sua autonomia, para descoberta do sentido da vida e que harmoniza o seu ritmo com a verdade. Passa de uma verdade aprendida para uma verdade experimentada, apropriada, verificada na experiência e que se torna convicção pessoal. Consolida a fé com o itinerário da verdade e do amor.

CONSTRUIR O CAMINHO CAMINHANDO

Neste percurso, nada é dado como fato pronto, acabado, mas propõe um itinerário que vai se consolidando, com a educação da fé, a partir de descobertas que satisfaçam a curiosidade sobre a verdade do mistério desvelado em Cristo.

Uma fé que propõe uma visão do homem todo e comporta partes de ensinamentos, conhecimentos, verdades, emanados nos fatos revelados na História da Salvação.

No decorrer dos tempos, esses ensinamentos foram transmitidos em canais diversos: pregação, testemunho dos mártires, basílicas, músicas, festas, ritos litúrgicos e, depois da Reforma, a partir do Concílio de Trento, no ensinamento dos catecismos. Hoje precisamos redescobrir aproximações plurais no contexto atual, porque a fé propõe, antes de tudo e através do testemunho e de vida de pessoas, um redirecionamento no seguimento de Jesus. Pois a fé se aprende, sobretudo, no modode experiência partilhada, de percurso feito em companhia de irmãos e irmãs, cujo elo e força de viver são inspirados pelo Evangelho.

Esse percurso do aprendizado da fé vai além do formalismo pedagógico, porque é mais que um conjunto de atividades ou de estratégias pedagógicas,um mergulho no real revelado do qual a gente sai transformado,um mergulho no próprio ser para emergir no novo Reino.

ONDE MORAS?

Essa redescoberta está bem explícita no encontro dos discípulos de João com Jesus. Eles não queriam apenas conhecer Jesus. Estavam interessados em entrar no seu mistério, por isso desejavam saber detalhes de sua vida: “Rabi, onde moras? Disse-lhes: vinde e vede. Então, eles foram e viram onde ele morava, e permaneceram com ele naquele dia” (Jo 1, 38-39). O objetivo de Jesus é levar à fé os discípulos que o procuram. “Eles foram e viram”, isto é, conheceram, pela fé, o caminho que leva à morada de Jesus. “Permaneceram com ele” é uma aproximação íntima e um relacionamento de instrução iluminado pela revelação da Boa Nova. Isso é tão verdade que o versículo 41 conclui: “Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo)”.

Esta aproximação-instrução é bem explícita e a encontramos também em Jo, 4,40: “Por isso, os samaritanos vieram até ele, pedindo que permanecesse com eles.” “Encontrar” e “permanecer” são o objetivo da iniciação cristã de adultos. A residência de Jesus não é um espaço físico, mas a descoberta da sua verdade para nortear o início do percurso.

A catequese da iniciação cristão de adultos parte da realidade deles, de suas angústias, dúvidas, incertezas, como aconteceu com os discípulos de João e os samaritanos, traçando um percurso a partir do ponto zero: refazer o caminho para encontrar a habitação de Jesus. Não é apenas uma catequese pré-elaborada, pré-definada, engessada, mas partilhada e desenvolvida no contexto do Evangelho, fazendo uma empatia da própria vida com a vida de Jesus para encontrar respostas.

COMEÇANDO O PERCURSO

Em At 8, 26-40 vemos o diácono Felipe ensinando um novo caminho ao funcionário etíope.  É o caminho da novidade fora das regras rígidas do templo de Jerusalém. Uma estrada deserta de início, mas onde o Espírito precede sem cessar, prepara e surpreende.

O Espírito já despertara o interior do coração deste funcionário estrangeiro que veio em peregrinação a Jerusalém. Surge um encontro no meio do percurso. São pequenas e poucas ocasiões que acontecem, fragmentos de vida que surgem ao acaso, mas podem definir um novo caminho. Aquele foi o momento insubstituível que mudou a vida do etíope, um encontro que traçou nova direção. Apenas o tempo de conversar, de parar, de tocar a fonte, de amar e saber-se amado, de ir embora leve depois da descoberta do Deus que marcara aquele encontro. Dele houve um novo despertar que permitiu prosseguir na alegria de novas estradas, antes dúvidas e solidão, agora iluminadas pelos raios de uma nova vida.

O LOCAL DO ENCONTRO

Às vezes somos tão formalistas que desprezamos as ocasiões. Ficamos muito tempo planejando, revisando, esquematizando, calculando os resultados futuros. A iniciação começa do começo. É agora e não depois. Quando alguém bate à porta, espera que lha seja aberta. Quando somos impulsionados, como aconteceu com o diácono Felipe, ou procurados como o amigo inoportuno de Marcos 11, 5-8, devemos nos levantar e dar aquilo que nos é pedido: o percurso e os meios para se chegar à maturidade da fé.

O local do encontro pode ser no deserto das pessoas, na madrugada de tantas vidas, no alvorecer de um novo dia. Mas não devemos nos jogar aleatoriamente, e sim ter sempre uma proposta definida e viável. O local de chegada é onde se pode beber água de um poço que jorra para a vida eterna. Pela Palavra chega-se aos sacramentos. A proposta do RICA parte da instrução (iluminação), segue um itinerário (aprendizado), aporta-se na acolhida (comunidade) e participa-se da assembleia (Igreja).

Para fazer uma interação dessa iniciação é bom rever os artigos:

Desafios da Catequese com Adultos I,

Desafios da Catequese com Adultos II

Desafios da Catequese com Adultos III.