Catequese para adultos: Desafios da catequese com adultos (II)

Pautar as dificuldades e encontrar respostas. A catequese com adultos deve superar a liturgia caricatural e rubricista.

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 524 visitas

Iniciamos esse tema no artigo anterior, DESAFIOS DA CATEQUESE COM ADULTOS (I), sobre a formação de catequistas, tendo como referência o RICA, Ritual da Iniciação Cristã com Adultos. O objetivo é pautar as dificuldades e encontrar respostas para a formação cristã de adultos, os ainda não batizados, a fim de consolidarem a fé, a esperança e o amor no mundo que é dirigido por eles.

OS ADULTOS ESPERAM UMA RESPOSTA DA IGREJA

O Diretório Nacional de Catequese dá destaque, em tom de apelo, para essa catequese: “Os adultos são, no sentido mais amplo, os interlocutores da mensagem cristã. Deles depende a formação de novas gerações cristãs, através do testemunho da família, no mundo social e político, no exercício da profissão e na prática de vida e da comunidade. É na direção dos adultos que a evangelização e a catequese deve orientar seus melhores agentes” (DNC, 181).

Partindo da realidade de cada indivíduo e do contexto de vida do catecúmeno, a catequese com adultos parte do questionamento:

A realidade urbana leva os indivíduos ao isolamento em si mesmo, desvalorizando o outro. Deve encontrar meios de contraposição a esse egocentrismo, pois o cristianismo se faz com a partilha. A verdade evangélica ensina a partilha, colocando as pessoas em relação com a comunidade e com a sociedade, em sentido mais amplo.A concepção do ambiente urbano colocas as pessoas como objeto de sua própria satisfação imediata, enquanto o Evangelho diz que a vida está na dinâmica da comunhão. A concepção hodierna é interpelada e confrontada com a centralidade de Jesus Cristo, que deve ser a referência da catequese com adultos. Das propostas da Segunda Semana Brasileira de Catequese é oportuno ressaltar dois pontos fundamentais:o acolhimento da graça, que vem de Deus, e que se dá através de uma convivência de acolhimentos intra-históricos e o acolhimento da graça dos carismas suscitados e doados por Deus, que supõe compromissos assumidos em forma de ministérios.

SUPERAR A CATEQUESE CARICATURAL E RUBRICISTA

Por outro lado, os valores cristãos que norteiam a catequese com adultos emanam da Escritura e Liturgia. Não são os manuais que fazem a Catequese com adultos, mas a Palavra de Deus vivida nas celebrações.  É na “Lectio Divina” que encontramos a resposta para transformar a vida.

A catequese com adultos deve superar a liturgia caricatural e rubricista, levando-a ao encontro da vida. É necessário recuperar a experiência da Igreja dos primeiros séculos: catequese-liturgia-Palavra de Deus. E o RICA é a fonte mais apropriada para essa releitura catequética: “Embora o Rito de iniciação comece pela admissão ao catecumenato, o tempo anterior ou o “pré-catecumenato” tem grande importância e habitualmente não deve ser omitido. É o tempo da evangelização em que, com firmeza e confiança, se anuncia o Deus vivo em Jesus Cristo, enviado por Ele para a salvação de todos, a fim de que os não cristãos, cujo coração é aberto pelo Espírito Santo, creiam e se convertam livremente ao Senhor, aderindo lealmente àquele que, sendo o caminho, a verdade e a vida, satisfaz e até supera infinitamente a todas as suas expectativas espirituais” (RICA, n. 9).

UMA REALIDADE: OLHAR A PARTIR DE JESUS E DO REINO DE DEUS

Da Igreja nasce a catequese sobre o mistério soteriológico de Cristo. Do Mistério Pascal surge a Igreja com a sua catequese. Não é apenas ter fé em Jesus, mas a fé de Jesus. Assim, é preciso degustar Jesus, experimentá-lo existencialmente.

O paradigma de Cristo gera dois eixos para o ministério catequético:

Mistagógico: Jesus, com o seu ministério, nos revelou o Pai: “quem me, vê o Pai” (Jo 14, 9). Com isso nos introduz no mistério. Na catequese é preciso, primeiramente, seguir o caminho de Jesus para trabalhar na experiência de Deus. Como discípulo missionário é necessário entrar e crescer nesse mistério. “É preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30). Sempre no espírito de aniquilação (Fl 2, 5-11). É Jesus quem nos dá o Reino nos encontros de oração, celebrações, diálogo. O testemunho do Cristo Ressuscitado é a principal forma de catequese para a iniciação cristã de adultos. E isso se faz com a própria vida. 

Pedagógico: Clemente de Alexandria dizia que Jesus era o grande pedagogo. Era o catequista por excelência. Jesus, como educador da fé leva, os discípulos a reconhecerem nele o Messias. Ministra os ensinamentos conforme a acolhida dispensada pelos ouvintes, por exemplo, nas parábolas faz os discípulos realizarem a própria impotência (Mt 14, 15-21) e tira dos pães a lição que eles deveriam ter entendido (Mt 16,8-12). Depois de ser reconhecido como Cristo, revela o mistério mais difícil de ser aceito: a cruz, como, em Mt 13, 10-13.36.51.

APRENDENDO COM JESUS

No Evangelho de João, vemos como esse processo pedagógico se desenvolve.

A pergunta de Jesus: “o que estais procurando?”. É uma boa pergunta para o início de uma catequese. É a curiosidade dos discípulos: “onde moras?”. E a resposta do Mestre: “venham e vejam”. Eles permaneceram com Jesus (cf. Jo 1, 37-39). Um dos que seguiram Jesus era André que vai anunciar a Pedro ter encontrado o Messias, conduzindo-o a Jesus, o que é um processo catequético (cf. Jo 1, 40). No dia seguinte Jesus encontra Felipe e o convida a segui-lo. Felipe encontra Natanael que o leva a Jesus. Jesus já era alguém esperado e que promove encontros catequéticos. Os momentos catequéticos de Jesus, na comunidade joanina são marcados pelo diálogo, escuta, ver, olhar e permanecer, gerando fecundidade de fé e amor.

(Continua no próximo artigo).