Catequese para Adultos: Formação de catequistas (I)

Um permanente aprendizado com Cristo

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 792 visitas

A Igreja insiste para que se promova uma sólida formação de agentes de pastorais, aqueles que assumem a missão de levar as pessoas a Cristo. Se não for assim, a sua eficácia estará comprometida. O Magistério da Igreja prioriza essa formação com subsídios que ajudam os discípulos missionários a ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14). E a catequese está no centro dessa prioridade, pois “o ministério da catequese ocupa um lugar de relevo no conjunto dos ministérios da Igreja particular” (Diretório Geral da Catequese, n. 232). Não podemos falar de catequese sem catequista maduro na fé e que tenha intimidade com o Projeto do Pai.

Os apelos de Cristo

O modelo do chamado para a formação de catequistas está inspirado na vocação dos primeiros discípulos e na sua resposta livre e pessoal para seguir o Mestre, com o anuncio da Boa Nova, testemunhando-a, inclusive com a cruz, pois o “discípulo não é maior do que seu Senhor” (Jo 15,20). “Jesus, depois de atender a uma grande multidão, subiu a uma montanha e chamou a si os que ele queria, e eles foram até ele. E constituiu Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3,13-14).

É o chamado para a formação permanente e não ocasional, por isso ficaram com ele, aprendendo em sua escola. Para ser catequista é necessário que, primeiro, percorra o caminho do aprendizado. Isso significa deixar-se envolver por Cristo, constituir uma nova comunidade na Escola de Jesus.

Formação para o ministério catequético

Como o ministério da catequese tem como objetivoajudar as pessoas no caminho rumo à maturidade na fé, no amor e na esperança” (DNC, 146), pede-se ao catequista amplo conhecimento da Palavra de Deus, da Igreja e de tudo que possa interferir na maturação da fé. O Diretório Nacional da Catequese, no seu número 252, insiste: “O momento histórico em que vivemos, com seus valores e contravalores, desafios e mudanças, exige dos evangelizadores preparo, qualificação e atualização”. Nesse contexto, a formação catequética de homens e mulheres ‘é prioridade absoluta’ (DGC 234). Os recentes documentos da Igreja insistem na formação inicial e permanente dos seus agentes: ‘Qualquer atividade pastoral que não conte, para a sua realização, com pessoas realmente formadas e preparadas coloca em risco a sua qualidade’ (DGC 234). A formação deve fundamentar-se no tripé: aprender, viver, ensinar, que parte do princípio sapiencial: ser, saber, saber fazer.

O catequista não é autodidata, ele não é fonte de catequese, mas canal. O processo de aprendizado deve ser entendido como atualização: rever, conferir, completar. O Magistério da Igreja é que dá aval à catequese, porque ele, relendo a Revelação que Deus faz de si mesmo, o interpreta e transmite.  

Esse transmitir segue os meandros da catequese de Jesus que, depois de falar à multidão, se afasta para um colóquio pessoal com os apóstolos e questiona-os: “E vocês, o que sabem a meu respeito?” (cf. Mc 8, 29). Em seguida começa a ensinar-lhes sobre sua missão, mostrando o caminho da cruz, mas que levará à vitória. Ensina-lhes que esse é o itinerário de sua catequese e que deverão segui-Lo: aprender, viver, ensinar, para ser, saber, saber fazer. E os apóstolos permaneceram três anos na Escola de Jesus. Só depois de O conhecerem, reverem seus ensinamentos (cf. Mc 6,30-31), terem entendido o conteúdo da missão do Mestre (cf. Jo 13,12) é que serão enviados (cf. Mc 16,15). Depois, na missão apostólica, se reúnem para dirimir dúvidas e ensinarem uma única doutrina (cf. At 15, 5-35).

Jesus detalha sua missão a quem é dado o ministério

Depois da parábola do semeador (cf. Mc 4, 10-25), Jesus os chama à parte e começa a instruí-los sobre os mistérios do Reino. Aos discípulos não falava em parábolas, mas em separado esclarecia tudo a eles. A eficácia do ministério depende de crescer ou não crescer, produzir ou não produzir, dar muitos frutos ou poucos frutos, de acordo com a terra. É uma escolha pessoal. É um convite para a abertura à Palavra depois de atraídos por dentro, uma relação de fé mais profunda com o Senhor ressuscitado. Assim, na formação permanente para a catequese, como foi a dos discípulos, exige-se:

●    deixar-se envolver pelo Cristo, numa relação de fé mais profunda, para dar frutos;

●    conhecer os itinerários do Reino, seguindo toda a pedagogia de Deus que perpassa pela História da Salvação, do Antigo ao Novo Testamento, e se consuma com a Nova e Eterna Aliança, em seu Filho;

●    inteirar-se sobre as diversas reações no acolhimento da Palavra de Deus e como ajudá-la a crescer. A catequese não é uma mera transmissão de doutrina, mas um intercâmbio de amor gerado no Filho;

●    saber reagir diante das pressões contra o messianismo. Para essa reação é necessário que se conheça o Messias e acredite na sua doutrina, tendo a coragem de dizer com Pedro: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós sabemos e conhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68).

●    não ceder diante de Satanás. Os contra valores alicerçados pelo relativismo conduzem a caminhos que levam ao desvio da fé, por isso é necessário discernimento para não ensinar erros teológicos.

PARA REFLETIR

1)      A partilha do conteúdo catequético provoca equilíbrio e confiabilidade na transmissão das verdades evangélicas. Como conduzir essa partilha?

2)      Como se pode crescer no aprendizado catequético?