Catequese para Adultos: Formação de catequistas (II)

Não basta boa vontade, é preciso atualização dinâmica

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 797 visitas

Quando se fala de formação é preciso conceitua-la dentro das realidades humanas, no processo dinâmico que envolve toda a vida dos indivíduos, não é uma abstração. Não é estática. Nenhum ser humano é um projeto concluso. Ele é dependente de tudo que o envolve. E a evolução de toda história está cercada de novas descobertas onde o novo de ontem, se não deixou de o ser, é enriquecido com fatos novos da vida, numa atualização evangélica.

O APELO É PARA TODOS

Também a catequese, por ser a chave da vida cristã, não pode ser um momento na vida de catequistas. Ela tem que ser permanente e não ocasional. O Papa João Paulo II insiste nesse persistente processo formativo: “É preciso repetir, uma vez mais: ninguém na Igreja de Jesus Cristo deveria sentir-se dispensado de receber a catequese. Tal imperativo abrange mesmo o caso dos jovens seminaristas e dos jovens religiosos, bem como de todos aqueles que são chamados a desempenhar o múnus de pastores e de catequistas: eles o desempenharão tanto melhor quanto mais souberem aprender com humildade na escola de Jesus, que é a grande catequista e ao mesmo tempo a grande catequisada” (Catechesi Tradendae, n. 45).

É inconcebível catequista autodidata ou aquele conservador, o que sabe demais e o que vem ensinando há tempo não precisa mudar. Não basta também uma única formação, aquela inicial, para ser catequista. Ela é permanente. Há ordens religiosas dando formação catequética para seus noviços. A responsabilidade na educação da fé, do amor e da esperança das pessoas é parecida com a da formação da personalidade. Não se pode transmitir insegurança, mas verdades que marcarão o relacionamento entre Deus e os homens. O catequista ensina em nome da Igreja, e a Igreja é de Cristo, então ele ensina como Cristo se revelou. É por isso que não há exclusão de pessoas na atualização da mensagem catequética nem da formação permanente de catequistas.

A FORMAÇÃO PERMANENTE

Em face das realidades que vivemos, esse aprendizado deve ser constante. O Diretório Nacional da Catequese coloca no mesmo patamar aqueles que cuidam da formação permanente para catequese com os que buscam a maturidade catequética, pois são valores que se completam: “Assumir a missão catequética é cuidar com esmero de sua autoformação. Somos pessoas em processo de crescimento e de aprendizado, desde a infância até a velhice. As ciências teológicas, humanas e pedagógicas estão sempre em evolução e progresso. Daí a necessidade de uma formação permanente, assumida com responsabilidade e com perseverança. A catequese, em qualquer ambiente, precisa de pessoas que buscam preparação e estejam dispostas a aprender sempre mais, para dar um testemunho convincente de fé. Não basta boa vontade, é preciso uma atualização dinâmica. Requer também, uma grande intimidade com a Palavra de Deus, com a doutrina e a reflexão da Igreja” (DNC, 267).

UM PROCESSO ORGÂNICO E SISTÉMICO

Como a formação é permanente e não ocasional, ela deve ser estruturada com um programa de etapas a serem atingidas. Um conteúdo formativo voltado para a maturidade dos catequistas e que atenda as exigências do mundo de hoje. A Palavra de Deus é una, mas não estanque, ela responde os anseios das pessoas de hoje e do amanhã. Entende-se que a formação não é um mosaico de mensagens, palestras avulsas, mas composta de peças que se encaixam e se completam no único corpo, a Igreja cuja cabeça é Cristo. Na programação formativa haja elos que se unam harmonicamente e sem perda de continuidade. Não se pode afastar do que foi lembrado no artigo anterior: aprender, viver, ensinar, que parte do princípio sapiencial: ser, saber, saber fazer. É uma formação que possa ser testada, a partir do conteúdo pragmático, com a verificação de resultados: rever, conferir, completar.

Ainda repisando: “Uma formação orgânica e sistemática da fé. O Sínodo de 1997 sublinhou a necessidade de uma catequese orgânica e bem ordenada, uma vez que o aprofundamento vital e orgânico do mistério de Cristo é aquilo que principalmente distingue a catequese de todas as demais formas de apresentação da Palavra de Deus” (Diretório Geral da Catequese, n. 67). E o DGC continua insistindo que “a formação orgânica é mais do que um ensino: é um aprendizado de toda a vida cristã”. O seu sistema é alicerçado nos princípios estabelecidos por Cristo durante sua vida pública. Ela é “ordenada e sistemática à revelação que Deus faz de si mesmo, em Jesus Cristo” (DGC, n. 65).

PENSANDO NA FORMAÇÃO ORGÂNICA

A programação surge da eleição de prioridades. Ela é colegiada. Definida a prioridade e o objetivo a ser atingido, são especificadas as etapas do programa. O passo seguinte é o conteúdo bem detalhado das etapas que não podem ser independentes, desassociadas entre si. É necessária também a inclusão da revisão periódica. Nessa revisão, ser for necessário o aprofundamento de algum tema que não tenha atingido o seu objetivo, ele deve ser revisto para preservar a unidade e integridade na organicidade. A unidade do conteúdo se faz em torno da pessoa de Jesus Cristo.

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