Catequese para Adultos: Formação de catequistas (III)

A tradição bíblica como primeira fonte

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 497 visitas

A Bíblia é a primeira fonte da formação catequética (CT, 27). O amor de Deus foi semeado no coração das pessoas pela Sagrada Escritura. Ela é o retrato falado de Deus. Ele usou os homens para se tornar visível: “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,22). De tal modo que alguém, ao ver o outro, possa dizer: você me lembra de Deus. Nossa vocação é muito forte e real. Para me parecer com Deus preciso saber como Ele é. É o que a Igreja chama de CATEQUESE BÍBLICA.

AS FONTES DA CATEQUESE

Vamos caminhar, nos próximos artigos, com as primeiras fontes da catequese, os elementos basilares da formação de catequistas. É preciso entrar nessas fontes de coração aberto ao Espírito Santo que nos faz entender todas as coisas (cf. Jo 14,26). O Diretório Geral da Catequese reúne, como fontes que se completam, Sagrada Tradição, Sagrada Escritura, enquanto redigida, Magistério da Igreja que faz a sua autêntica interpretação. Essas fontes têm cada uma a sua mensagem edificadora da fé. “Todas estas fontes, principais ou subsidiárias, da catequese, as quais, de modo algum, devem ser entendidas em sentido unívoco. A Sagrada Escritura ‘é a Palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do Espirito Santo’ (DV, 9), e a Sagrada Tradição ‘transmitida integralmente aos sucessores dos Apóstolos, a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo’ (CV 10). O Magistério tem a tarefa de ‘interpretar autenticamente a Palavra de Deus’ (DV 10b), cumprindo, em nome de Jesus Cristo, um serviço eclesial fundamental. Tradição, Escritura e Magistério, intimamente conexos e unidos, são cada qual a seu modo, as fontes essenciais da catequese” (DGC, n. 96).

A SAGRADA TRADIÇÃO, PRIMEIRA REVELAÇÃO DE DEUS

É impossível, em um artigo, penetrar no todo da Sagrada Tradição. Daremos os primeiros passos abrindo a porta ao Deus que se revela, e depois alguém poder aprofundar nesta Revelação. Continuaremos nos próximos artigos.

Para chegarem até nós, as mensagens divinas foram assimiladas por Israel, primeiramente de forma oral, dentro das famílias, e repetidas de pai para filhos (cf. Dt 6, 4-7), só mais tarde, pelos escritos, temos a Tradição Escrita. O Concílio do Vaticano II, na sua Constituição Dogmática Dei Verbum, assim nos ensina sobre a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura: “Os Apóstolos transmitindo aquilo que eles próprios receberam, exortam os fiéis a manter as tradições que aprenderam, seja oralmente, seja por carta (cf. 2Ts 2,15) e a combater pela fé que se lhes transmitiu uma vez para sempre. [...]. Pela mesma Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nele cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar atuantes” (DV 8). E continua: “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão, portanto, entre si estreitamente unidas e comunicantes” (DV 9). “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só sagrado deposito da palavra de Deus confiado à Igreja” (DV 10).

Qual é a finalidade da Tradição? Ela é comum em todas as sociedades humanas e em todas as épocas:

Assegura a continuidade das culturas e dos costumes às gerações futuras.Do lado religioso, assegura a continuidade na transmissão das crenças, fé, ritos, orações, celebrações, ensinamentos, quer de forma oral quer por escritos.As civilizações antigas asseguraram a sua continuidade pela tradição oral e, às vezes, escrita. Israel, povo eleito de Deus (cf. Dt 7,6-9), assimilou e adaptou as tradições cultuais egípcias às suas formas de culto a Javé, seu Deus único, deixando-nos o maior legado da comunicação de Deus aos homens.

Vemos Deus se revelando aos homens na história da salvação. A partir do primeiro pecado, Deus está sempre a lado da sua obra que “era muito boa” (cf. Gn 1, 31). Promete uma descendência salvadora (cf. Gn 3,15). Realiza uma nova criação (Cf. Gn 9, 1-17). Celebra uma aliança com toda a descendência (cf. Gn 17, 4-8). Funda em Jacó o seu novo povo, Israel (cf. Gn 35, 10). Promete e liberta seu povo do cativeiro egípcio (Livro do Êxodo). Dá-lhe um estatuto (cf. Ex 20, 1-20). Entrega a terra da promessa a seu povo (Livro de Josué). Ratifica com seu povo a Aliança (Js 24, 1-16). Constitui a dinastia davídica da qual nascerá entre nós o Salvador (1Sm 16,13). E a tradição messiânica passa pelos profetas até chegar à plenitude do tempo em Cristo (Gl 4,4).

Toda essa lembrança rápida da Revelação Divina foi guardada pela Tradição Oral. Ela faz parte da Bíblia, pois é seu santo embrião gerado de geração em geração: “É a transmissão desse depósito que confere a Israel sua fisionomia própria e que assegura sua continuidade espiritual desde a época patriarcal até o limiar do NT. Se esse depósito é sagrado, não o é somente por ser um legado das gerações como em todas as tradições humanas. É antes de tudo por ser de origem divina” (Vocabulário de Teologia Bíblica, Xavier Léon-Dufour, SJ, Ed. Vozes, 2008, p.1035).

A PRAXE CATEQUÉTICA

A catequese consiste em ensinar as verdades reveladas como aconteceram. Ela parte de sua origem, seu princípio vivificador e chega até nós pelo anúncio missionário.  É vivida intensamente pela Igreja que a repassa a toda comunidade, como aprendemos com os Pais e testemunhamos com os Apóstolos. A formação para a catequese deve responder aos anseios do povo de Deus desde a sua origem, saber da expectativa do Messias para viver plenamente o Cristo que habita entre nós (Jo 1,14). A Tradição Oral não é uma repetição de estórias, mas deixar-se encontrar por Deus como Ele achou seu povo numa terra de deserto vazio e solitário (cf. Dt 32,10), e para fazê-lo seu herdeiro (Dt 7,6; 14,2).

PARA REFLETIR

1)      A catequese com adultos está orientada para o encontro histórico do homem com Deus?

2)      Como introduzir o adulto nessa Tradição Bíblica, fazendo-o herdeiro dessa Revelação divina? 

Para ler os artigos anteriores:

Catequese para Adultos: Formação de catequistas (I)

Catequese para Adultos: Formação de catequistas (II)