Catequese para Adultos: Formação de catequistas (V)

Um ensinamento com a tradição apostólica

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 632 visitas

O cristianismo começa com as raízes da Tradição judaica. Jesus frequentava a Sinagoga e nela ensinava (cf. Lc 4, 16s). Os apóstolos iam ao Templo para fazer suas orações (cf. At 2, 46; 3, 1). São Paulo usava, em sua pedagogia, a técnica judaica, pela sua formação experimentada nela. Na inauguração da nova pregação cristã, ainda há resquícios da tradição dos escribas, repetindo uma herança recebida, mas com nova autoridade (cf. Mc 1,22.27). Os discípulos recebem a missão de repetir (tradição) os ensinamentos (cf. Mt 28,19s). Nesse novo contexto de ensinamento, Jesus perdoa pecados (cf. Mt 9, 1-8), comunica a graça da salvação e inaugura novos sinais que manda repeti-los depois dele (cf. 1Cor 11,23s). Jesus está no inicio de uma nova tradição que substitui a dos antigos, com novos critérios para interpretação das Escrituras.

UM NOVO MODELO DE TRANSMISSÃO DA TRADIÇÃO

Os apóstolos revivema tradição dos antigos, como São Paulo, ao dar instruções aos tessalonicenses, exortando-os ao progresso espiritual: “Pois conheceis as instruções que vos damos da parte do Senhor Jesus” (1Tes 4,2), e como eles “receberam seu ensinamento” (1Tes 4,1). Ele os exortava: “guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito” (2Tes 2,15). Aos filipenses admoestava: “o que aprendestes, ouvistes e recebestes de mim é o que deveis praticar” (Fp 4,9). Aos coríntios detalhava o ensinamento doutrinário recebido sobre a morte e ressurreição de Cristo (cf. 1Cor 15,3), e recordava a tradição no relato litúrgico sobre a Ceia (cf.1Cor 11,23). O objeto da Tradição Apostólica consiste, portanto, em relatos tanto da Tradição oral como da Palavra escrita.

Esses relatos nos levam a crer que o conteúdo essencial da Tradição, quer antes de Paulo quer depois, são um paralelo à Tradição judaica, agora, no contexto da Nova Aliança. Esses materiais já faziam parte da vida da Igreja e do Evangelho, como praxe da própria substância da pregação cristã. E São Lucas reforça essa tese no prólogo do seu Evangelho: “muitos já tentaram compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme no-los transmitiram os que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra” (Lc 1, 1-2).

A TRADIÇÃO NA PRAXE CATEQUÉTICA

Como o objetivo da catequese é construir, pela maturidade da fé, um caminho que leva ao Reino de Deus, ela é mais que uma doutrina, é uma mensagem que exige resposta (cf. DNC, 97), e essa mensagem chega a nós pelo anúncio missionário (Tradição), que aprofunda a vida da comunidade. É um processo de “Tradição” que se inicia na pregação apostólica, continua na Igreja, de pai para filhos (cf. DNC, 102) e atualiza pela catequese. O ministério catequético cumpre a missão de inculturar todo o processo Redentor a partir do Protoevangelho (Gn 3,15), conhecendo e vivendo como Deus agiu na história da humanidade, de forma ininterrupta: com os Patriarcas, na Monarquia e com os Profetas. A catequese é uma mensagem que flui da Tradição para gerar vida nova. Na comunicação da mensagem, que contém a doutrina cristã, urge que a Revelação, Tradição oral e Escrita, seja usada de forma clara para levar o adulto ao amor de Deus que se manifesta, não só a ele, mas a todos. Quando se fala de inculturação, entende-se que ela seja atualizada no dia a dia das pessoas, ouvindo suas angústias, suas decepções, suas derrotas para alimentar a esperança com respostas concretas a partir do encontro pessoal com o Deus que fala. Não são fórmulas preconstruídas, mas que brotem da espontaneidade do amor.

CATEQUESE SEM PRECONCEITOS

Na catequese com adultos, aqueles que têm a capacidade de discernimento, não cabem atitudes fundamentalistas. Não aceitar tudo, mas também não condenar tudo. O equilíbrio é a chave importante para esse ensinamento. O equilíbrio está na Sagrada Escritura, pois ela é fonte e fornece os princípios fundamentais da catequese: “Dentro da Tradição, a Bíblia ocupa lugar especial: nela, a Igreja reconhece o testemunho autêntico da Revelação divina” (DNC, 107). E o Diretório Nacional da Catequese vai além: “Na catequese, procuramos critérios para o uso da Bíblia a serviço da educação de uma fé esclarecida e engajada: as circunstâncias locais hão de inspirar adaptações apropriadas para cada realidade” (DNC 108).

Pode-se traçar um itinerário catequético examinado “as circunstâncias locais” que fornecem rico material para a catequese. E “as circunstâncias locais” situam-se a partir da realidade de vida de cada pessoa, produzindo valioso material para instrução da fé. É um encontro da pequenez humana com a grandeza de Deus. Encontramos as respostas para esse encontro em Cristo: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10). Tudo se resume em: acolher, dialogar, instruir para produzir uma grande partilha de amor.

É preciso conhecer o contexto social, familiar e profissional dos catequizandos para inseri-los, com caridade, no seio da Igreja. Nunca prejulgar, porque isso leva à exclusão, mas acolher com amor. As dúvidas e os erros podem construir o único caminho que leve ao encontro com Cristo quando temperados com o amor e o perdão.

REFLETINDO:

1)      Com que elementos podem-se planejar uma catequese com adultos?

2)      Como identificar as angústias e esperanças do adulto, na procura de Deus?