Catequese para Adultos: Formação de catequistas (VI)

História de Deus na história da humanidade - Sagrada Escritura

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 605 visitas

Nesses últimos artigos sobre formação permanente de catequistas, com enfoque prioritário aos que se dedicam à catequese com adultos, estamos refletindo sobre a Bíblia, que detém o conteúdo e a fonte da catequese (cf. CT 26 e 27). No artigo anterior demos um mergulho pela Tradição Oral, agora vamos caminhar pelos meandros da Tradição Escrita, a Sagrada Escritura. Nunca se esgota essa procura de Deus, pois sua Revelação é dinâmica e sempre atualizada na história da humanidade.

A SAGRADA ESCRITURA

É importante lembrar que a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura formam um único depósito da fé contido na Revelação de Deus. Assim, buscamos nelas o que Deus transmite a todos nós. Relembrando o Concílio Vaticano II, na Dei Verbum, jáaprendemos:A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão, portanto, entre si estreitamente unidas e comunicantes [...]. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo” (DV 9). E a mesma constituição continua relembrando que os Livros Sagrados são escritos por homens, mas inspirados pelo Espírito Santo: “Portanto, já que tudo o que os autores ou os hagiógrafos afirmam, deve ser recebido como afirmados pelo Espírito Santo, deve-se professar que os livros da Sagrada Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus, em vista de nossa salvação, quis fosse consignada nas Sagradas Escrituras” (DV 11).

A IGREJA, DEPOSITÁRIA DA SAGRADA ESCRITURA

A Bíblia ou Sagrada Escritura é a Palavra de Deus escrita, é a doutrina de Deus revelada aos homens. Por isso, a Igreja recebe sua fé da Sagrada Tradição e da Sagrada Escritura, fontes docentes e únicas da Revelação de Deus.A Igreja define a Bíblia como Palavra de Deus e determina quais livros fazem parte da lista dos inspirados, por isso a Bíblia precisa ter a aprovação eclesiástica para que seja confiável. É uma coleção, uma biblioteca de livros sagrados, e não apenas uma composição literária, o relato da história de Deus com a humanidade.  Divide-se em Antigo Testamento, história de Deus na história do povo da Antiga Aliança, e o Novo Testamento, a Nova Aliança em Jesus Cristo.

Toda a Revelação de Deus está contida na Sagrada Escritura. Ela não é uma palavra humana, embora escrita por homens, mas Palavra de Deus que inspirou os homens para escrever o que Ele queria que fosse conhecido de sua benevolência: “Por esta razão é que, sem cessar, agradecemos a Deus por terdes acolhido a sua Palavra, que já vos pregamos não como palavra humana, mas como na verdade é, Palavra de Deus que está produzindo efeito em vós, os fiéis” (1Ts 2, 13).

É uma Revelação que transmite a vida eterna, porque o Plano de Salvação traçado pelo Pai para salvar os homens, depois do pecado (cf. Gn 3,15), tem como objetivo reconduzir a humanidade a Ele.

A BIBLIA É COMUNICAÇÃO DE DEUS AOS HOMENS

Os Livros Sagrados escritos pelos homens são a comunicação de Deus com linguagem humana. São livros inspirados. Novamente recordamos a Dei Verbum confirmando essa inspiração divina: “Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo ele próprio neles e através deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que ele próprio quisesse” (DV, 11).

Por isso cremos que todos os livros da Sagrada Escritura são inspirados e merecem todo o nosso respeito. Esta Palavra de Deus não é uma letra morta, que fica só nos livros, mas Palavra viva, que precisa ser vivida e dar frutos. Deus, quando envia a sua Palavra, espera acolhida, aceitação e conversão. Toda a Palavra tem o destinatário e a missão: o homem e sua salvação. Isaías exorta: “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não torna a mim sem fruto; antes, ela cumpre a minha vontade e assegura o êxito da missão para a qual a enviei” (Is 55, 10-11).

COMO ENTENDER A BÍBLIA

Ao ler a Sagrada Escritura precisa-se ter em mente que foi uma Palavra escrita para um povo, em época bem diferente da nossa. Usavam-se expressões e costumes daquele povo. A Sagrada Escritura é cheia de simbolismo. Há expressões que hoje, além de não serem usadas, só com um estudo criterioso sobre aquela época é que podemos entendê-la, por isso é necessário que se tenha em conta:

Sentido literal – é o sentido da Palavra, naquela época. Para entendê-la, hoje, é preciso a sua interpretação. Essa interpretação é feita pelos exegetas, pessoas que têm como especialidade estudar a época em que foram escritos os textos bíblicos e dar o sentido para os dias de hoje. Por isso, nem sempre podemos interpretar os textos como estão escritos, ao “pé da letra”. Se isso acontecer, estaremos sendo “fundamentalistas”, às vezes distorcendo a sua mensagem.

Sentido espiritual – descobrir a mensagem que a Bíblia está querendo transmitir para o nosso crescimentoespiritual. O que ela quer oferecer para a nossa vida interior e mudança de conduta. Ver os sinais que Deus está nos dando para segui-Lo. É uma lectio divina, isto é, uma leitura espiritual,rezar com a Palavra de Deus, meditando-a no coração.

Sentido alegórico – descobrir o que os sinais e as comparações estão transmitindo. Por exemplo: o dilúvio é uma recriação, uma purificação, um renascimento; o Mar Vermelho é uma libertação; o Pão da Vida, no capitulo 6 do Evangelho de São João, é preparação remota para a Eucaristia. Todos são prefigurações ou imagens da presença de Deus entre seu povo.

Sentido moral – estabelecer conduta de vida, ensinando o agir com justiça, diante do próximo e de Deus. Discernir o que é certo e o que é errado aos olhos de Deus.