Católicos, judeus e muçulmanos dialogam na JMJ

Realizado às vésperas da Jornada, seminário mostra como os jovens das três grandes religiões monoteístas constroem pontes no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro, (Zenit.org) | 660 visitas

Pela primeira vez na história das Jornadas Mundiais da Juventude, houve um momento de encontro entre jovens das três grandes religiões monoteístas. Neste domingo, 21, cerca de 150 jovens católicos, judeus e muçulmanos se encontraram na PUC para um seminário promovido pela Juventude Inter-religiosa do Rio de Janeiro (JIRJ), em que celebraram a união na diversidade e colocaram em prática o diálogo, chegando até os mínimos detalhes. Por exemplo, os organizadores decidiram não oferecer ao público nenhum tipo de comida ou bebida no intervalo, em respeito à celebração do Ramadã pelos muçulmanos. Nesse período, o seguidor do Islamismo faz jejum enquanto há sol.

Dentro do auditório, viam-se muitos jovens com camisetas de paróquias ou movimentos católicos, rapazes com o kipa judaico e moças com o hijab, o véu típico muçulmano. Alguns vieram de outros países, como Nicarágua, Bolívia e Argélia. Na mesa de debates, jovens como Fernando Celino, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro, relataram sua experiência na busca do diálogo inter-religioso: “Eu comecei a frequentar a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, que se reunia num centro de umbanda”, lembrou ele. “Embora eu nunca tenha tido preconceitos contra outras religiões, esse contato acabou com os estereótipos que eu tinha. E, especialmente, eu fiz grandes amigos”.

“Nós reconhecemos a Deus como criador”, explicou a católica Aline Barbosa, coordenadora da Pastoral da Juventude. “A partir daí, nos reconhecemos como irmãos, prontos a amar o próximo”. Para isso, Rodrigo Baumworcel, judeu da Associação Hillel, destacou: “A oração serve como ponte entre as religiões”.

A experiência de diálogo inter-religioso no Rio de Janeiro não se restringe ao meio universitário. Dois colégios de ensino fundamental e médio, o Santo Inácio (católico) e o Liessin (judaico) lançaram o projeto “Vizinhos de portas abertas”, em que os alunos de uma escola visitam a outra. Mais recentemente, os muçulmanos, mesmo não tendo colégios na cidade, começaram a participar, respondendo a dúvidas dos alunos dessas escolas sobre o islamismo. Essa experiência motivou, na plenária final do encontro, uma proposta de convivência entre os alunos das instituições de ensino de diferentes religiões. Mais que isso, os jovens propuseram a realização de atividades sociais e culturais em conjunto, como meio de incentivar o diálogo entre as religiões.

Não podemos ignorar que os “adultos” também estiveram presentes no seminário. A abertura do encontro contou com autoridades como o sheik saudita Hamed Mohammed Wali Khan, o rabino argentino Abraham Skorka, amigo pessoal do papa Francisco, e D. Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, que sublinhou, em sua intervenção, que “os jovens anunciam ao mundo que é possível construir um mundo de fraternidade e paz”.

No intervalo, para todos aqueles que não pretendiam ou não podiam seguir o jejum islâmico, havia, nas imediações do auditório, uma única cantina excepcionalmente aberta neste domingo – cujo proprietário é um muçulmano.