Católicos na vida pública, missão relançada pela Ação Católica na Itália

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BOLONHA, quarta-feira, 3 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Uma redescoberta do perfil público da opção religiosa a partir do Evangelho e do testemunho pessoal: é o compromisso que enfrenta, 140 anos desde a sua criação, a Ação Católica Italiana (www.azionecattolica.it).



A Ação Católica – associação de leigos que tem seu ponto de agregação e referência na paróquia – funde suas raízes em 1867, na Sociedade da Juventude Católica Italiana, aprovada ao ano seguinte por Pio IX. Foi estabelecida com o nome e configuração atual pelo Papa Pio XI (1922-1939).

Na Itália está presente em aproximadamente oito mil paróquias, e conta com cerca de 180.000 adultos, 80.000 jovens e 150.000 adolescentes. Esta realidade eclesial, através de sua história, deu à Igreja mais de 60 santos e beatos.

Para favorecer o conhecimento recíproco entre as Associações e Federações de Movimentos da Ação Católica (AC) dos diferentes países, surgiu o Foro Institucional da Ação Católica (www.fiacifca.org).

Na celebração de seu 140º aniversário, Castel San Pietro (Bolonha, Itália) acolheu três dias de congresso nacional da AC, de 28 a 30 de setembro.

Trata-se da cidade natal de Giovanni Acquaderni, que, junto a Mario Fani, constituiu em 1867 o primeiro núcleo dessa realidade, a mencionada Sociedade da Juventude Católica.

Em sua homilia – no sábado passado – ante 1.500 responsáveis associativos diocesanos e paroquiais de todo o país, o cardeal Carlo Caffarra – arcebispo de Bolonha – exortou a não ceder jamais a «contendas» com a «mentalidade deste século» e a não se retirar «em uma interioridade ilusória».

Alertou a cúpula da AC sobre os pontos nos quais o testemunho cristão sofre mais ataques: a verdade acerca da pessoa humana, pensada cada vez mais como um resultado fortuito de processos naturais; a verdade acerca da relação homem-mulher no matrimônio; a verdade sobre o social, que cada vez se propõe mais prescindindo do bem comum.

O presidente da Conferência Episcopal Italiana, o arcebispo – de Gênova – Angelo Bagnasco, fez chegar uma mensagem a esta assembléia da AC, convidando os responsáveis a recordar que, no primeiro estatuto da associação, recolheu-se o objetivo de «formar todos os indivíduos que pertençam a ela em um espírito franco e valente na profissão e prática pública de sua religião católica».

«Chegou uma nova seiva para a Associação – recorda o prelado – do Concílio Vaticano II», que marcou «um passo de fundamental importância para a missão dos leigos na Igreja e no mundo».

No marco deste congresso de suas presidências diocesanas, a AC lançou um «Manifesto pelo país» que representa um compromisso para os próximos anos, orientado a voltar a propor os valores da associação não só no âmbito eclesial, mas também na dimensão civil, redescobrindo o perfil público da opção religiosa a partir do Evangelho e do testemunho pessoal.

«Estamos ao serviço do homem para honrar a dignidade pessoal com seus valores irrenunciáveis, começando pela vida e pela paz, pela família e pela educação; para caminhar junto a todos e a cada um», diz o documento.

«Queremos desgastar-nos a favor do bem comum através da educação na responsabilidade pessoal, no compromisso público, no sentido das instituições, na participação, na democracia», prossegue.

O documento sublinha que o país «merece um futuro à altura do próprio patrimônio da fé cristã, de cultura humanista e científica, de paixão civil e de solidariedade social».

Por isso, afirma igualmente: «Desejamos dar um passo adiante neste país, com o Evangelho e com a vida: para as pessoas, em sinal de um ‘ethos’ compartilhado, segundo um espírito de autêntica laicidade».

Nas próximas semanas, as mais de 200 associações diocesanas e as cerca de 3.500 associações paroquiais celebrarão momentos de reflexão, rumo à XIII Assembléia nacional programada em Roma de 1º a 4 de maio de 2008. Será o momento de aprovação do documento programático da AC para o triênio sucessivo e da eleição dos novos responsáveis nacionais.