Causa dos males do mundo está no coração do homem

Fala Godfrey Igwebuike Onah, especialista do Sínodo para a África

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Por Mariaelena Finessi

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 6 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- A causa dos problemas do mundo? O coração do homem. "Sim, é isso que um autêntico africano diria." O reverendo Godfrey Igwebuike Onah, vice-reitor da Universidade Pontifícia Urbaniana de Roma, falando no dia 1º de outubro em um encontro do Observatório sobre o sínodo africano, que se realiza no Vaticano nestes dias, não aceita outras respostas.


Os desastres que atingem a humanidade nascem das decisões daqueles que não estão em comunhão com Deus: "Para um cristão, a paz, a justiça e a reconciliação se encontram somente em Cristo". E então sim, é verdade, os países que exploram o continente negro fizeram milhões de pessoas se ajoelharem, mas a verdade é que "tudo isso foi possível com a colaboração daqueles irmãos que venderam a própria consciência".

Apesar disso, explica o sacerdote nigeriano, não podemos nos render, e sim lutar para devolver a esperança aos que não a possuem.

Estas últimas palavras compõem um discurso que se posiciona. Como poderia ser de outra maneira? "Certas coisas só podem ser bem vistas por quem tem os olhos cheios de lágrimas", gostava de dizer Dom Christophe Munzihirwa, arcebispo de Bukavu (Congo), assassinado em 1996 por sua postura durante a guerra congolesa, quando gritou que nenhuma política vale mais que a pessoa humana.

Da mesma forma, o reverendo Onah se sente envolvido, até o ponto de não desculpar ninguém. Tem para todos: para quem depredou e continua depredando sua terra, para quem na Itália está contra a convivência étnica, para quem pensa com melancolia na África distante, quando já seria muito "preocupar-se pelos africanos que vivem aqui", e para quem frequentemente trai a verdadeira mensagem evangélica.

A propósito disso, recorda que, em 1994, ano da 1ª Assembleia Especial para a África, do Sínodo dos Bispos, o sinal mais dramático da distância entre a vida real dos africanos e certo modo de entender o cristianismo estava na tremenda coincidência do início do sínodo com o início do genocídio da Ruanda, "um dos países mais cristãos da África".

Mas lembra também que hoje este continente é "a vergonha do mundo, envolvido na crise econômica, mas não na busca de sua solução". E é ainda mais grave "a marginação da África": homens e mulheres que não contam por que não servem o mercado e que hoje encontram o túmulo nas águas do Mediterrâneo. Comportamentos indignos que alimentam a raiva, também porque "se, ao invés de homens, morressem girafas e chimpanzés, a comunidade internacional se mobilizaria".

A advertência do sacerdote dispensa comentários: "Se o mundo faz os jovens africanos desanimados acreditarem, como já acontece no Oriente Médio, que a resposta aos problemas está no assalto ao resto do mundo, todos podem começar a tremer".

Por enquanto, a presença dos missionários que ensinam o perdão é uma dissuasão para a explosão da raiva: "Se não por razões humanitárias, pelo menos por isso o destino dos africanos deveria interessar a todos - conclui Onah. Qualquer coisa que a Igreja faz para renovar o espírito cristão na África, ela o faz pelo mundo inteiro".

O desenvolvimento da assembleia sinodal, de 4 a 25 de outubro - encontro do qual o sacerdote participa como "especialista" - é uma grande oportunidade de compreensão: "O sínodo, que quer dizer ‘caminhar juntos', é um encontro dos bispos da Igreja em sua universalidade e não somente dos bispos africanos. E está bem que seja feito em Roma, porque só assim podemos esperar ser ouvidos por aquela comunidade internacional que é expressão dos países mais ricos e potentes". Em última instância, por aqueles países que decidem o destino da humanidade.