Cem anos da semana social dos católicos italianos

O renascimento da idéia de bem social

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PISTOIA ROMA, sexta-feira, 19 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Mil delegados, 65 bispos, 160 dioceses representadas, 150 jornalistas acreditados, 180 voluntários envolvidos, 32 palestrantes com seis sessões de trabalho e uma Comissão Científica Organizadora de doze especialistas. São os números da 45ª Semana Social dos Católicos Italianos, que se celebra de 18 a 21 de outubro em Pistoia e Pisa.



O evento celebra os cem anos da convocação, motivo pelo qual se batizou como a «Semana do centenário».

O tema a tratar é «O bem comum hoje: um compromisso que vem de longe».

Em cada sessão se está aprofundando em um aspecto de fundo e ao mesmo tempo de atualidade: «o bem comum na era da globalização», «as perspectivas da biopolítica», a relação entre «Estado, mercado e terceiro setor», «Educar e formar»; e na sessão de encerramento, o tema «Futuro para o bem comum?».

Na coletiva de imprensa de apresentação, o presidente da Comissão que organiza esta semana e bispo de Ivrea, Dom Arrigo Miglio, afirmou que «os leigos católicos vivem com plenitude sua integração eclesial e também seu status de cidadãos em nosso país».

«Tem sua autonomia: os bispos lhe pedem que sejam fiéis aos valores fundamentais do cristianismo, não só para que a fé se anuncie sem reducionismos, de maneira intimista, mas também porque o Evangelho é salvação para todo o homem, e como tal, implica um compromisso não só no âmbito social, mas também no político», acrescentou.

Segundo o prelado, «quando os bispos pedem um compromisso em favor dos princípios não-negociáveis, o fazem para salvaguardar a plenitude do Evangelho, mas também são conscientes de que estes valores irrenunciáveis estão ao serviço do bem comum, da sociedade».

Segundo Bento XVI, os princípios não-negociáveis dos católicos em política são a defesa da vida e da família, assim como o direito dos pais à educação de seus filhos (cf. Discurso ao Partido Popular Europeu, 30 de março de 2006).

A «Semana do Centenário» servirá, substancialmente, para fazer um balanço da contribuição cultural, social e política que os católicos elaboraram e ofereceram à sociedade, para verificar a distância entre fé cristã e cultura dominante, e também para relançar uma nova etapa de fecunda reflexão e um renovado compromisso com seu país dos católicos.

Na coletiva de imprensa, Stefano Zamagni, professor de Economia Política na Universidade de Bolonha, membro do comitê organizador, explicou o conceito de bem comum, que, como recordou, esteve em auge até finais do século XVIII, para depois desaparecer, ainda que hoje pode viver «um renascimento».

«Nós, os católicos – afirmou o professor –, também começamos a compreender que a única via de saída é a perspectiva do bem comum, na qual ninguém pode ser deixado para trás.»

Outro dos membros do Comitê, o presidente emérito do Tribunal Constitucional da Itália, Cesare Mirabelli, insistiu na necessidade que a sociedade tem da contribuição dos católicos.

«A contribuição dos católicos – sublinhou – não é um ato de imposição, mas uma contribuição ao diálogo, e não é possível impor-lhes uma renúncia aos próprios princípios, pois de fato o Estado prevê, em determinados casos, a objeção de consciência.»