Cesare Cicconi: ''Estou feliz de verdade e ainda emocionado''

Doente de esclerose lateral amiotrófica beijado pelo papa Francisco: recebido em festa pela sua cidade natal

Roma, (Zenit.org) Nieves San Martín | 936 visitas

“Em 1982, numa audiência privada com os fiéis de San Benedetto del Tronto, João Paulo II me beijou. Agora eu recebi um novo beijo na testa, do papa Francisco. E eu estou feliz de verdade e ainda emocionado”. Cesare Cicconi, 50 anos, afetado pela esclerose lateral amiotrófica (SLA), levou o pontífice a descer do jeep branco em que percorria a praça de São Pedro para abençoá-lo e beijá-lo.

A cara de felicidade de Cesare iluminava todos os que contemplavam aquela cena do papa samaritano, que sentiu a necessidade de descer da sua “cavalgadura” diante de um ferido encontrado no caminho.

“Eu sou católico praticante”, explica Cesare aos jornalistas. “E sou sócio desde sempre da Unitalsi [União Italiana de Transporte de Doentes a Lourdes e Santuários Internacionais] porque os meus pais faziam parte da associação”.

A mãe, Sandra, 72 anos, falecida há poucos meses, era quem cuidava de Cesare, que tem o corpo completamente paralisado, com exceção de uma mão. Agora a protetora é sua irmã Cinzia, 43 anos, e “todos os amigos da Unitalsi, que são de casa”, enfatiza.

Os pais descobriram que Cesare sofria de SLA quando ele tinha oito meses. Mesmo precisando ser transportado de maca, Cesare não se dá por vencido e, na medida do possível, tenta continuar aproveitando as pequenas satisfações da vida.

Ele conta, ainda emocionado, o que viveu ontem: “O papa Francisco parou, apontou para mim e desceu do jeep. Me deu um beijo na testa e pediu para mim e para os meus amigos: ‘rezem por mim’”.

Muitos dos voluntários da Unitalsi agradeceram ao papa, que respondeu: “Não, obrigado a vocês”.

À 1h30 de ontem, Cesare pretendia voltar da Cidade do Vaticano para San Benedetto del Tronto, sua pequena cidade na região das Marcas, onde uma grande festa já estava anunciada para ele.

Cesare tem uma grande capacidade de se integrar às marchas da vida e nunca se entregou: “Sou torcedor do Ascoli e vou até ao estádio”. Queria voar, o que não é fácil para quem tem que se ver reduzido a uma maca. Mas, em 2010, conseguiu realizar seu sonho. Graças à ajuda da companhia aérea, “eu entrei no avião e participei da peregrinação nacional a Lourdes”, relata ele à agência ANSA.

“Todos nós enxergamos nesse beijo do papa em Cesare”, declara o padre Vincenzo, da Unitalsi de San Benedetto do Tronto, “aquela passagem do evangelho em que Jesus se aproxima da sogra de Pedro, doente, se inclina, pega a mão dela e a levanta. Parecia justamente aquela passagem do evangelho”.

A comitiva da Unitalsi, comovida, emocionada e “cheia de energia”, voltou ontem para casa com um lindo presente recebido do papa Francisco.