Chile: povos autóctones exigem reparação de séculos de injustiça

Comitê Permanente da Conferência Episcopal publica declaração oficial

Madri, (Zenit.org) Nieves San Martín | 1221 visitas

“Estamos preocupados com a prolongada situação dos nossos povos originários, cujas justas demandas exigem reparação por séculos de marginalização e injustiça”, afirmam os bispos chilenos, em declaração sobre o assassinato de um casal da região da Araucania, no sul do país, que é cenário, há 140 anos, de enfrentamentos entre latifundiários, empresas de extração mineral, o Estado e a população de etnia mapuche.

O casal assassinado era proprietário de uma casa que foi incendiada por criminosos ainda não identificados. Werner Lutsinger, 75, e a esposa Vivian Mackay, 69, estavam dormindo quando a residência foi invadida. O proprietário enfrentou os bandidos na escada e conseguiu usar uma arma de fogo, mas levou um golpe que o deixou inconsciente. Após atear fogo, os assaltantes fugiram. O casal morreu por asfixia.

O Comitê Permanente da Conferência Episcopal do Chile (CECh) publicou na tarde de ontem, 9, uma declaração sobre a situação na Araucania. “Nesta região do sul do país, vem-se mantendo um conflito histórico com o povo mapuche no tocante à reivindicação de suas terras. A situação se agravou nos últimos dias com a morte de um casal de empresários chilenos, cuja casa foi incendiada em um atentado”, informa a ZENIT a Assessoria de Comunicação e de Imprensa da Conferência Episcopal do Chile.

A declaração “Felizes os que trabalham pela Paz” manifesta "profunda preocupação" com “o conflito vivido na Araucania” e destaca a urgência de passos concretos para erradicar a violência, “com profundo respeito pela vida humana e pela dignidade das pessoas".

Além de ressaltar a necessidade do reconhecimento da cultura própria do povo mapuche, os bispos acrescentam que confiam nas "autoridades, dirigentes da sociedade e representantes das comunidades para que tais anseios sejam bem encaminhados, acolhendo-se a contribuição de todos, agindo-se com ponderação e ajudando-se a tomar as melhores decisões para privilegiar sempre o respeito e o diálogo como via de resolução de conflitos. De nossa parte, garantimos a colaboração para o sucesso deste propósito".

A declaração é assinada pelos bispos Ricardo Ezzati, de Santiago; Alejandro Goic, de Rancagua; Horacio Valenzuela, de Talca; Pablo Lizama, de Antofagasta e administrador apostólico de Iquique; e Ignacio Ducasse, de Valdivia.

O historiador Jorge Pinto Rodríguez, especialista no conflito mapuche, afirmou aos meios de comunicação que a situação da Araucania se arrasta há 140 anos, desde que “o Estado arrebatou terras e assim empobreceu as comunidades”. O acadêmico da Universidade de la Frontera explicou à Radio Cooperativa que, nas últimas quatro décadas, o problema se agravou com a chegada de multinacionais, que não conseguiram criar postos de trabalho “numa região castigada que não conseguiu se levantar”.

O texto completo da declaração pode ser lido em espanhol em http://documentos.iglesia.cl/conf/documentos_sini.ficha.php?mod=documentos_sini&id=4205&sw_volver=yes&descripcion=.