China: foi eleito o futuro bispo de Xangai

O Pe. Thaddeus Ma Daquin

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ROMA, segunda-feira, 11 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) – O padre Thaddeus Ma Daqin foi eleito no dia 30 de maio para ser o futuro bispo de Xangai. Nomeado bispo coadjutor do bispo "oficial" da diocese, a Santa Sé deu a sua aprovação para a eleição.

Com cerca de quarenta anos, o padre Ma tornou-se assim o bispo coadjutor de Xangai, diocese da qual é bispo "oficial", Mons. Jin Luxian, 96 anos de idade, informa a agência Eglises d'Asie.

Único candidato, o padre Ma recebeu 160 de 205 votos que compunham o eleitorado reunido para esta ocasião, a saber, 86 sacerdotes da diocese de Xangai, 55 religiosas e 64 leigos. Dos 190 eleitores presentes neste 30 de maio, dois votaram contra Ma e 28 se abstiveram. A votação, da qual os resultados ainda devem ser confirmados pelas autoridades centrais da Igreja de Pequim, foi realizado enquanto a Santa Sé já tinha dado seu consentimento para que o padre Ma fosse o bispo coadjutor de Xangai.

A nomeação do padre Ma como bispo coadjutor, fecha dessa forma um período de incertezas desde que a renúncia do que tinha sido até agora sucessor designado por monsenhor Jin tinha sido tornada pública. Em dezembro de 2011, monsenho Jin tinha anunciado ter aceitado a renúncia de Mons. José Xing Wenzhi, que desde 2005 era o seu bispo auxiliar. E, na mesma ocasião, o ancião bispo tinha nomenado o padre Ma vigário geral da diocese, designando-o assim, aos olhos de todos, como seu novo sucessor.

Hoje, há muitas perguntas e permanecem no mistério as razões da renúncia de monsenhor Xing. Em 2005, quando foi escolhido para ser o bispo auxiliar de Xangai, em conformidade com Roma e com a aprovação de Pequim, sua nomeação foi vista como um sinal que encorajou a unidade da Igreja da China. Na verdade, a Santa Sé aceitou a candidatura de Mons. Xing com a ressalva de que monsenhor Jin, bispo "oficial" de Xanghai obtivesse a aprovação do bispo "clandestino" de Xangai, Mons. Fan Zhongliang, também de idade avançada, para que daqui pra frente Mons. Xing fosse o único bispo de Xangai. Mons Fan aceitou e se poderia pensar que, com a desaparição inevitável dos dois velhos bispos, mons. Xing se tornasse o único rosto da Igreja em Xangai.

Por razões que não foram publicadas, estes fatos não se desenvolveram como estava previsto. Na ausência de declarações do interessado mesmo, que se refugiou no silêncio, o que se pode chamar “o mistério Xing” permanece como tal.

Em quanto ao futuro bispo coadjutor de Xangai, que deveria ser ordenado no final de junho, monsenhor Jin escolheu uma personalidade originária de Xangai. Formado no seminário de Sheshan, o grande seminário regional vinculado com Xangai, ordenado sacerdote em 1994, o padre Ma exerceu diferentes ministérios pastorais na diocese. Decano do setor de Pudong, o bairro tirado da terra nas margens opostas da Xangai histórica, o padre Ma assumiu por um tempo as funções de diretor das publicações de Quangqi Press, um dos dois principais editores católicos do país. Apresenta também a particularidade de ter começado seu ministério no seio da comunidade“ de Xangai, antes de ingressar nas fileiras dos “oficiais” há uns dez anos. Apreciado pelo presbitério, parece o adequado para assegurar a unidade da maior diocese da China, quando suas duas figuras históricas, monsenhor Jin do lado “oficial” e monsenhor Fan do lado dos “clandestinos” desapareçam.

Falta o ponto de sua ordenação episcopal. Recentemente, verificou-se que Pequim tentou semear a discórdia impondo as cerimônias da ordenação dos bipos nomeados de acordo com Roma com a presença de bispos ilegítimos ou legítimos mas que tinham participado em cerimônias de ordenação ilícita. Parece ser que será monsenhor Jin que presidirá a ordenação do futuro monsenhor Ma. Não há nenhuma informação sobre os nomes dos dois bispos co-consagrantes ou dos outros bispos que poderiam colocar-se ao redor do altar da catedral de Xangai na cerimônia.

Trad. TS