China: surpreendente declaração de dom Ma Daqin

Bispo auxiliar de Xangai se retira da Associação Patriótica

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ROMA, quarta-feira, 11 de julho de 2012 (ZENIT.org) - Em 7 de julho, durante a sua ordenação como bispo auxiliar de Xangai, dom Ma Daqin surpreendeu a todos ao anunciar que deixaria seus cargos na Associação Patriótica dos Católicos Chineses, controlada pelo governo comunista, para intensificar a sua comunhão com a Igreja Católica.

Depois de comunicar esta decisão, o novo bispo não voltou a ser visto em público. Seus seguidores sabiam informar apenas que os movimentos do prelado estavam restritos e que ele fora proibido de exercer o ministério episcopal.

Em 10 de julho, um comunicado do Vaticano confirmou uma nota da Congregação para a Evangelização dos Povos, divulgada em 3 de julho, declarando que o padre Yue Fusheng, de Harbin, estava excomungado por ter aceito a ordenação episcopal em 6 de julho sem mandado pontifício.

Dom Ma Daqin, bispo auxiliar de Xangai, declarou durante a sua ordenação episcopal:

"Excelência, Dom Jin [Luxian], irmãos e irmãs,

Saudações a todos.

Pai nosso, que estás no céu, agradeço pelas tuas bênçãos. Tu me deste uma graça indescritível, e hoje me escolhes, pobre homem, criatura fraca.

Agradeço a Deus pelo dom da sua graça. Agradeço a dom Jin por ter vindo me ordenar, apesar deste calor do verão [34°C]. Agradeço também aos dois bispos co-consagrantes, dom Xu [Honggen] e dom Shen [Bin]. Dom Jin, de coração aberto eu recebo a imposição das suas mãos e a sua bênção!

Obrigado também aos bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos e fiéis que lotam esta igreja, especialmente aos vindos de longe. A sua presença me dá confiança e força!

Todos têm orado incessantemente pela nossa diocese e por mim, servo humilde e limitado. Quando eu era criança, os meus pais e os anciãos da minha família me ensinaram a tradição da Igreja e me transmitiram a fé.

Quando entrei no seminário, recebi a educação católica que os nossos antepassados ​​e predecessores observaram. Trabalhei incansavelmente e dediquei a minha vida a seguir o exemplo de Cristo, para chegar a ser um bom pastor.

Permitam-me agradecer também aos sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos presentes nesta missa, e àqueles que não puderam se juntar a nós pela falta de espaço ou por outras razões.

Deus não olha para as aparências, mas lê o coração, onde se revela a justiça. O homem propõe, mas Deus dispõe. E eu quero dizer: amemos uns aos outros! Oremos uns pelos outros!" [vivos aplausos do público].

O lema inscrito no meu emblema de bispo é extraído de duas citações bem conhecidas. A primeira corresponde ao que dom Jin sempre nos ensinou durante os anos de seminário: uma citação de Santo Inácio, Ad maiorem Dei gloriam (para maior glória de Deus). Neste momento, neste lugar, esta frase quer dizer que nós temos que escolher um caminho para servir a Deus para a sua maior glória. A segunda citação que eu escolhi é Somos todos um. Espero que todos nós, em nosso íntimo, respondamos ao chamado que Jesus fez aos seus discípulos: "Que todos sejam um". Eu consagrei a minha vida para construir a unidade.

À luz do que nos ensina a nossa Santa Mãe Igreja, à qual eu sirvo como bispo, devo dedicar todas as minhas energias ao ministério episcopal e à obra da evangelização. É embaraçoso para mim, por isto, continuar a ter certos tipos de responsabilidade. Neste momento de minha ordenação, não é mais desejável que eu seja membro da Associação Patriótica dos Católicos Chineses. [Longos aplausos]. Para que todos possamos ser um só, para a maior glória de Deus".

(Trad.ZENIT)