Cidade do Vaticano: pagamentos passam a ser aceitos somente em dinheiro

Medida obedece a controles estritos sobre bancos que operam na Itália

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 913 visitas

Desde o dia 1º de janeiro, os turistas e cidadãos italianos que visitam a Capela Sistina e os museus do Vaticano, entre outras atrações do pequeno país, devem pagar os ingressos em dinheiro. Momentaneamente, os cartões de crédito e débito não estão sendo aceitos.

O programa francês da Rádio Vaticano veiculou as palavras do porta-voz Federico Lombardi: “O contrato entre alguns departamentos do Vaticano e uma das concessionárias de serviços para cartões de crédito e pagamentos eletrônicos está expirando. Estamos tratando com diversas concessionárias de serviços. A interrupção será breve”.

Para quem não conhece a Cidade de Vaticano, é conveniente explicar que não se trata apenas de uma pequena cidade nos moldes de San Marino ou Montecarlo, nas quais há restaurantes, lojas e hotéis. Em território vaticano, o uso do cartão de crédito tem importância relativa.

No interior da Cidade do Vaticano há escritórios, jardins, a basílica, os museus e alguns alojamentos. Vivem no micropaís cerca de mil pessoas em total, incluindo os Guardas Suíços. A Cidade do Vaticano é rodeada por antigas muralhas, por cujos quatro portões principais a gendarmaria vaticana e os guardas suíços só deixam entrar empregados e visitantes que tem compromissos específicos.

Há um supermercado e uma loja de objetos de maior valor, como perfumes, eletrodomésticos e roupa, reservada aos empregados do Vaticano e às pessoas que têm vínculos específicos com o país. O público externo pode entrar somente na Farmácia Vaticana, passando pelo controle da gendarmaria, já que o acesso aos medicamentos é uma questão humanitária.

Os turistas e cidadãos italianos podem ainda visitar a Basílica de São Pedro e sua praça, cuja entrada é liberada. Também podem conhecer os jardins situados no interior do Vaticano, em visitas guiadas que precisam ser reservadas junto à Obra Romana de Peregrinações.

Os Museus Vaticanos, que cobram ingresso, têm portas que dão diretamente para o lado externo das muralhas do Vaticano. A Capela Sistina, que fica dentro dos Museus, possui área com café e restaurante self service. Nesses lugares, os turistas deverão pagar agora em dinheiro.

Controle bancário

O gestor dos pagamentos eletrônicos do Vaticano é o banco alemão Deutsche Bank. A atual supressão do uso de cartões se deve a uma medida do Banco da Itália, que alega que o serviço P.O.S., de pagamentos através de cartões, funcionava há anos sem autorização da filial italiana do Deutsche Bank.

O programa francês da Rádio Vaticano ironiza sobre a reação de diversos jornais, que tentaram atrelar o caso “à descoberta de sabe Deus o quê”. A rádio recorda que “o Vaticano, com Bento XVI à frente, vem se empenhando num processo para tornar mais transparentes as suas finanças, em particular as do Instituto para as Obras de Religião (IOR)”, que é conhecido popularmente como o “banco vaticano”.

“A Santa Sé contratou um perito de renome internacional para combater a lavagem de dinheiro, o suíço René Brulhart, que foi diretor da Financial Intelligence Unit (FIU) de Liechtenstein durante oito anos”, prossegue o programa.

Em julho passado, um informe da Moneyval, organismo da União Europeia de repressão aos crimes financeiros, reconheceu que as autoridades vaticanas completaram “um longo percurso de progressos num prazo muito curto de tempo”, embora ainda restem passos importantes a dar.

Dias depois do informe da Moneyval, dom Ettore Balestrero, subsecretário para as relações com os Estados da Secretaria de Estado da Santa Sé, recordou à imprensa, em 18 de julho, “que o itinerário já percorrido representa um compromisso moral e não só estritamente técnico”.

Na ocasião, Ballestero citou palavras do papa Bento XVI no motu proprio de 30 de dezembro de 2010: "Muito oportunamente, a comunidade internacional está se dotando cada vez mais de princípios e instrumentos jurídicos que permitem prevenir e lutar contra o fenômeno da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo". É justo que a Santa Sé compartilhe desses esforços, adotando e "tornando suas" as mesmas regras, úteis "para o desenvolvimento da própria missão".

Nas proximidades da Cidade do Vaticano, em território italiano, há grande quantidade de serviços que aceitam os cartões de crédito e de débito, assim como filiais bancárias com caixas eletrônicos. O peregrino não terá maiores dificuldades, portanto, para sacar o dinheiro necessário para visitar o Vaticano durante esta situação excepcional.