Cinco bispos avaliam o balanço parcial do sínodo

Sala de Imprensa do Vaticano recebe a "Relatio post disceptationem"

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Lucas Marcolivio

VATICANO, sexta-feira, 19 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Com a Relatio post disceptationem, o Sínodo dos Bispos chega à sua metade. O relatório foi apresentado na manhã de ontem, 18, na Sala de Imprensa do Vaticano, em presença de cinco padres sinodais.

Todos os relatores mostraram satisfação com os conteúdos até agora expressos pelo sínodo, chegando a demonstrar entusiasmo em diversos momentos.

O cardeal Tong Hon definiu este evento eclesial com três adjetivos: maravilhoso, difícil e possível. A maravilha vem “do incrível consenso que nos permite encontrar irmãos bispos vindos de todo o mundo, que estão falando no sínodo com o coração aberto”, afirmou o cardeal chinês.

Em referência à própria diocese, o cardeal Tong Hon considerou que "a prioridade é a evangelização" e destacou os "mais de 3.000 batizados em um ano", cifra que continua a crescer. Tudo em um contexto cultural, como o da China, onde "a família é muito importante".

A principal dificuldade da diocese de Hong Kong é a "escassez de vocações", devida em particular à "mentalidade hedonista". Para superar este obstáculo, o cardeal está se valendo de "missionários estrangeiros", capazes de transmitir a mensagem de que "Cristo é a felicidade".

O bispo de Hong Kong afirmou, como conclusão, que a presença do papa Bento XVI nas sessões sinodais é "encorajadora e inspiradora de muitas ideias positivas, canalizando a Igreja no caminho do humanismo".

Já o cardeal africano Laurent Monsengwo Pasinya, de Kinshasa, advertiu que a nova evangelização precisa ser renovada especialmente "no ardor, nos métodos e nas expressões", e que ela deve ser anunciada pelos ministros da Igreja, sacerdotes, diáconos e leigos, mas também pelas famílias, sem as quais a evangelização corre o risco de perder a sua essência. O desafio, para ele, é "anunciar Cristo em um mundo que não acredita mais".

Durante o sínodo, acrescentou o cardeal Monsengwo, é muito útil que os bispos compartilhem as suas ideias e experiências, porque "os problemas são muito diferentes em cada diocese" e cada bispo pode passar para os outros os pontos fortes do seu trabalho pastoral.

Dom Ján Babjak, SJ, arcebispo de Presov dos católicos de rito bizantino e presidente do conselho da Igreja da Eslováquia, destacou, por sua vez, "a importância das peregrinações, especialmente aos santuários marianos”. Os lugares de peregrinação são úteis “para purificar a alma e redescobrir a beleza de sermos cristãos”: por isso mesmo, “eles devem ser bem cuidados pelos sacerdotes mais preparados e mais ricos de experiência”.

Da sua primeira experiência sinodal, dom José Horacio Gómez, arcebispo de Los Angeles, destaca a "forte presença do Santo Padre", através da qual "o sínodo demonstra a universalidade da Igreja, cujos problemas nós compartilhamos".

“Eu fiquei muito impressionado”, disse dom Gómez, “com duas coisas em particular: com os 50 anos da abertura do concílio Vaticano II e com a presença viva de Cristo na nova evangelização, evocada por muitos padres sinodais”.

O ciclo de intervenções foi fechado por Sua Beatitude Sviatoslav Schevchuk, arcebispo maior de Kiev-Halyc, chefe do Sínodo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Com apenas 42 anos de idade, Schevchuk é o mais jovem dos padres sinodais atuais.

"Encontramos no sínodo um grande entusiasmo: a Igreja traz a chama do Espírito Santo! É uma obra divina que viaja por meio dos homens e que nos traz uma boa notícia: o Reino de Deus está entre nós".

A dimensão que deve “absolutamente ser redescoberta”, de acordo com o arcebispo de Kyev-Halyc, é a paroquial. A paróquia, de fato, é "um gigante adormecido que está acordando", e por meio dela "é possível transmitir a fé para as novas gerações".

A experiência do Oriente cristão é importante, acrescentou, porque a região foi "uma grande testemunha da fé cristã, inclusive a preço de sangue". Durante muitos anos, as igrejas orientais foram perseguidas, especialmente pelos regimes comunistas, mas "esta é a hora da sua ressurreição". Um elemento que traz esperança para "outras igrejas que hoje são oprimidas, como as do Oriente Médio, especialmente na Síria", conclui o padre sinodal ucraniano.

(Trad.ZENIT)