Círio de Nazaré no Rio de Janeiro: além da questão cultural, diz arcebispo

Exposição e procissões marcam “programa intenso” em homenagem à Virgem

| 1937 visitas

RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 17 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- A celebração do Círio de Nazaré no Rio de Janeiro, de 19 a 21 de setembro, quer ser algo mais que uma questão cultural, afirma o arcebispo local, Dom Orani João Tempesta.

O Círio, celebrado em Belém do Pará há mais de dois séculos –explica Dom Orani–, é uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Reúne, anualmente, sempre no segundo domingo de outubro, mais de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital paraense.

“É um grandioso espetáculo em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus”, assinala.

Nos dias 19, 20 e 21 de setembro, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré percorrerá vários locais do Rio de Janeiro, Niterói e Saquarema.

Em artigo enviado a Zenit hoje, Dom Orani explica que o Círio de Nazaré vem ao Rio primeiro com uma exposição cultural, como aconteceu nos outros anos em outros locais. “Mas aqui em nossa região queremos algo mais que a questão cultural”, afirma.

“Iremos aproveitar um evento cultural para ser também para nós um momento de fé e devoção que ajude o nosso povo em sua identidade católica e seu entusiasmo para viver como Igreja de Jesus Cristo em estado permanente de missão.”

Dom Orani explica que a devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. “A imagem da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361”, conta.

“Em decorrência de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a imagem foi encontrada. A notícia se espalhou e muita gente começou a venerar a Santa.”

No Pará, um caboclo encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucu (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Com o crescimento da devoção, as procissões em homenagem à Virgem iniciaram ali em 1793.

Segundo Dom Orani, a presença da imagem de Nossa Senhora de Nazaré no Rio de Janeiro será “um momento importante para trabalhar a preocupação com a fraternidade, com a paz e com o bem em nossa região”.

“A festa de Nazaré desperta o bem e o belo no coração das pessoas, fazendo um apelo para que a Paz que brota de Maria nos ensine a viver a harmonia, combatendo a violência e todas as suas expressões.”

O Círio no Rio “será uma manifestação cultural e religiosa, desde a chegada da imagem, no próximo dia 19”. Nesse dia será inaugurada uma exposição com cerca de cinco mil peças sobre o Círio de Nazaré, no subsolo da Catedral Metropolitana.

A imagem percorrerá os bairros da cidade e será celebrado um mini-círio em Acari. “O programa é intenso”, afirma o arcebispo, que pede à Virgem de Nazaré “que interceda ao seu Filho Jesus pela paz em nosso Estado do Rio”.