CNBB manifesta a Lula preocupação com saúde do bispo em greve de fome

D. Luiz Cappio entrou no 16º dia de jejum contra transposição do Rio São Francisco

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Por Alexandre Ribeiro

BRASÍLIA, quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- A presidência da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) encontrou-se esta quarta-feira com o presidente Lula, em Brasília, para discutir a questão da greve de fome de Dom Luiz Flávio Cappio, OFM.

O bispo de Barra (Bahia, nordeste do Brasil) entrou esta quarta-feira no 16º dia de «jejum e oração», em protesto contra o projeto de transposição do Rio São Francisco (com 2.800 km de extensão, o rio corta parte do sudeste e nordeste do país). O bispo se alimenta apenas de soro caseiro.

Segundo o governo, o Projeto de Integração do Rio São Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional do país pode levar água a cerca de 12 milhões de habitantes da região mais árida do Brasil.

As obras dos primeiros trechos começaram em junho deste ano e estão sendo executadas pelo Batalhão de Engenharia do Exército.

Dom Luiz Cappio afirma que mantém o jejum até que as tropas do Exército deixem os canteiros de obras.

Em nota difundida à imprensa esta quarta-feira, o bispo reafirma as razões de sua iniciativa.

Segundo o prelado, entre outros argumentos por ele comentados, a transposição «não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio».

Para o bispo, trata-se de um projeto que «pretende usar dinheiro público para favorecer empreiteiras, privatizar e concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São Francisco».

No encontro com o presidente Lula, Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB, e Dom Dimas Lara Barbosa, secretário-geral, manifestaram preocupação «com relação à pessoa e à vida» de Dom Frei Luiz Cappio.

A presidência do organismo episcopal entregou a Lula um documento em que afirma se colocar «à disposição para colaborar na retomada do diálogo» entre o governo e o bispo de Barra.

A CNBB sugere «a criação de uma Comissão para estudar melhor o atual Projeto e analisar também as propostas que têm sido elaboradas por entidades governamentais, especialistas e movimentos sociais que consideram, também, a revitalização e a despoluição do Rio São Francisco».

O organismo episcopal afirma que, «por causa da complexidade do Projeto de Transposição», «com suas implicações sociais, econômicas, culturais e ambientais, julgamos que ainda seria necessário maior discussão», envolvendo diferentes setores da sociedade.

Segundo a CNBB, o atual Projeto «deveria ser mais analisado, considerando inclusive outras alternativas que garantam água de qualidade para o povo Nordestino, entre elas o Projeto 1 milhão de cisternas».

Em coletiva de imprensa após o encontro com Lula, Dom Geraldo Lyrio afirmou que transmitirá ao bispo de Barra o que foi discutido com o presidente.

Segundo informa a assessoria de imprensa da CNBB, Dom Geraldo acredita que o governo «está interessado em encontrar uma saída para este momento» e «está disposto a examinar todas as propostas alternativas», embora «esta disposição não implique em abandonar inteiramente o projeto da transposição do Rio São Francisco».

Já Dom Dimas sugeriu ao governo dar mais esclarecimentos sobre o projeto de transposição.

«Existem dezenas de ações judiciais em torno do projeto. Ele tem implicações sociais, culturais e na própria dimensão simbólica do Rio São Francisco. Tudo isso exige um esclarecimento maior para a população», afirmou o secretário-geral da CNBB.

Jejum

Esta é a segunda vez que o bispo de Barra entra em greve de fome em protesto contra as obras de transposição do São Francisco.

Em 2005, Dom Luiz Flávio Cappio ficou 11 dias sem comer e só terminou a greve depois que o governo se comprometeu a promover uma discussão nacional sobre o projeto e dar atenção especial aos impactos ecológicos e à situação das populações ribeirinhas.