CNBB pede diálogo na questão da transposição do Rio São Francisco

Ao saber da retomada do jejum por parte de Dom Luiz Flávio Cappio

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Por Alexandre Ribeiro

BRASÍLIA, quarta-feira, 28 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), ao tomar conhecimento essa terça-feira da decisão de Dom Luiz Flávio Cappio, OFM, bispo de Barra (Bahia, nordeste do país), de retomar o «jejum e a oração» por causa do projeto de transposição do Rio São Francisco, pediu diálogo sobre a questão.


Em nota, o organismo episcopal afirma ter clareza de que «o tema da transposição do Rio São Francisco traz consigo muitas implicações, não havendo unanimidade nem mesmo na Igreja, o que julgamos perfeitamente compreensível».

A presidência da CNBB, afirma, em relação à transposição, que «o Estado tem a responsabilidade de garantir à população o acesso à água de boa qualidade, que é um direito humano e um bem público necessário aos seres humanos, aos animais e às plantas».

Destaca ainda que «é necessário dar continuidade a um amplo diálogo visando a soluções adequadas e considerando as alternativas apresentadas pelas forças sociais populares envolvidas no processo, para promover o desenvolvimento sustentável, a preservação do meio ambiente, a agricultura familiar e a convivência com o semi-árido».

A nota, assinada pelo presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio, e o secretário-geral, Dom Dimas Lara, lembra que «é preciso cuidar da revitalização do Rio São Francisco e do respeito ao direito à terra dos povos da região, particularmente indígenas, quilombolas, população ribeirinha».

«Esperamos que o diálogo se estabeleça a fim de que a vida e a justiça prevaleçam sobre quaisquer outras razões», encerra o texto.
 
Dom Luiz Flávio Cappio iniciou seu primeiro jejum contra a transposição do Rio São Francisco há dois anos. Ele passou 11 dias em greve de fome na cidade de Cabrobó (Pernambuco).

Um acordo feito em outubro de 2005 entre o bispo e o governo Lula previa a abertura, por parte do governo, para diálogo com a sociedade civil sobre alternativas para o desenvolvimento sustentável do semi-árido brasileiro.

A primeira etapa das obras de transposição do São Francisco (rio que nasce em Minas Gerais e corta parte do nordeste do país) foi iniciada em junho passado pelo governo.