CNBB pede oração por bispo em greve de fome

D. Luiz Cappio entrou no 17º dia de jejum contra transposição do Rio S. Francisco

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Por Alexandre Ribeiro

 

BRASÍLIA, quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- A cúpula da CNBB, formada pela presidência e os bispos que presidem as dez Comissões Pastorais do organismo episcopal, pediu aos fiéis que orem por Dom Luiz Flávio Cappio, OFM, que entrou hoje no 17º dia de greve de fome contra o projeto de transposição do Rio São Francisco.

O Conselho de Pastoral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou nota essa quarta-feira, em que convida «as comunidades cristãs e pessoas de boa vontade a se unirem em jejum e oração a Dom Luiz Cappio, por sua vida, sua saúde e em solidariedade à causa por ele defendida».

A CNBB reconhece que o jejum e a oração do bispo de Barra (Bahia, nordeste do país) «são motivados por seu espírito de pastor que ama seu povo».

«Dom Luiz expressa seu constante compromisso em defesa do Rio São Francisco e da vida das populações ribeirinhas – agricultores, quilombolas, povos indígenas – e de outras áreas.»

«Sua atitude revela respeito à dignidade da pessoa e da criação e sua convicção de que o ser humano é capaz de conviver em harmonia e respeito com o meio-ambiente», afirma o texto.

A nota da CNBB explica que o protesto de Dom Luiz Cappio traz à luz o embate entre dois modelos opostos de desenvolvimento.

«De um lado, o modelo participativo e sustentável, que valoriza a agricultura familiar e a preservação da natureza; e de outro, o que privilegia o agro e hidro negócios, com sérios prejuízos ambientais e sociais, pois explora o povo e destrói os rios e as florestas.»

O organismo episcopal recorda também que tem afirmado junto ao governo e à sociedade «a necessidade de dar continuidade a um amplo diálogo sobre o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco».

A CNBB aponta ser necessário considerar outras propostas alternativas ao projeto de transposição, «socialmente adequadas e eficazes, apresentadas por entidades governamentais, especialistas e movimentos sociais, a custos menores e com possibilidade de atingir maior número de pessoas e municípios».

E cita como exemplo a proposta da ANA (Agência Nacional das Águas), através do Atlas Nordeste, e pela ASA (Articulação do Semi-Árido brasileiro), de construção de um milhão de cisternas.

Justiça

Uma liminar da Justiça Federal embargou essa segunda-feira as obras de transposição do rio. O governo deve recorrer até esta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal.

Chamado Rio da integração nacional, o São Francisco faz ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste do país.