Colômbia: a escalada de violência deve ser resolvida sem o descuido da paz

Os bispos manifestaram seu repúdio aos atos violentos das últimas semanas

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 420 visitas

O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, dom Luis Augosto Castro Quiroga, afirmou que as Forças Armadas devem impor um limite aos ataques, mas nem por isso colocar o processo de paz em risco. “A escalada da violência tem que ser resolvida sem descuidar a paz”, declarou em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira.

Quiroga repudiou a escalada de violência que o país sentiu nas últimas semanas e reiterou que este panorama não deve significar uma interrupção no processo de negociações em andamento em Havana. Ele pediu que "as FARC e o ELN não realizem essas demonstrações de força porque, neste momento, o que o país está buscando é a paz com base no diálogo".

O último dos episódios violentos foi registrado nesta quinta-feira em Miranda, departamento de Cauca, quando uma menina de dois anos morreu e outras três pessoas ficaram feridas num ataque a bomba. A guerrilha pretendia atacar várias unidades militares na região. O ataque ocorreu dois dias depois de o presidente Juan Manuel Santos advertir que os atentados poderiam colocar em risco o diálogo de paz iniciado há mais de um ano.

Fazendo referência à seleção de vítimas convidadas a participar dos diálogos de paz, num processo que conta com a colaboração da Igreja, Quiroga falou da lista que será entregue no dia 6 de agosto para "validar" a mesa de negociações de Havana. A lista incluirá vítimas das FARC, do Estado e dos paramilitares.

Os negociadores do governo e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) convidaram a Conferência Episcopal do país a acompanhar o desenvolvimento da organização e o processo de seleção das vítimas que participarão da quarta rodada de negociações. Grupos de vítimas compostos por 12 pessoas conversarão com os delegados do governo e da guerrilha durante cinco rodadas em total. O primeiro grupo será recebido na mesa de conversações no próximo dia 16 de agosto.

Desde 2012, o governo e as FARC mantêm um diálogo de paz baseado em uma agenda de seis pontos para acabar com mais de cinco décadas de conflito armado, durante as quais morreram 600.000 pessoas.

O processo de paz também preocupa o papa Francisco, disse a ministra de Relações Exteriores da Colômbia, Maria Ángela Holguín, depois de conversar brevemente com o papa após a cerimônia de canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, em 27 de maio. "Ele me perguntou sobre os avanços no processo de paz, esperançado nos resultados. E mandou uma saudação ao presidente Santos, esperando que o processo corra bem", relatou a ministra.