Colômbia: Cáritas pede ao governo que garanta sua segurança

Varias organizações humanitárias sofrem ameaças da guerrilha

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TUMACO, terça-feira, 4 de maio de 2010 (ZENIT.org).- A Cáritas Colômbia solicitou ao governo que garantisse a segurança dos trabalhadores humanitários, depois das ameaças recebidas, enquanto a diocese de Tumaco publicou um comunicado pedindo aos grupos armados que respeitassem o trabalho pastoral e humanitário. As últimas ameaças procedem do Grupo Armado Rastrojos-Comandos Urbanos.

"Embora a situação tenha melhorado na Colômbia, ultimamente têm havido sinais preocupantes para o rearmamento de grupos paramilitares", afirma Dom Héctor Fabio Henao, diretor de Cáritas Colômbia.

"Este fato, junto com a reativação da guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nos últimos meses e as execuções extrajudiciais, são causa de grandes preocupações para nós", afirma.

Em Tumaco, a Cáritas foi ameaçada pelo grupo. A irmã Yolanda Cerón, chefa de Cáritas Tumaco, foi assassinada em 2001, depois de fazer declarações contra os grupos paramilitares. Um agente da Cáritas foi assassinado na região há 12 anos. Além disso, a Cáritas Colômbia afirma que recentemente executaram um missionário no povoado de Tierralta.

A diocese de Tumaco publicou uma declaração dia 23 de abril, que afirma que receberam "novas ameaças": a "pastoral social da diocese e outras organizações sociais, defensores dos direitos humanos, representantes das Nações Unidas e outras pessoas específicas". As ameaças aconteceram dia 10 de abril e procedem do Grupo Armado Rastrojos-Comandos Urbanos.

A declaração informava que "o grupo declarou que estas organizações e pessoas são objetivos permanentes e emitiu um ultimato".

"A diocese de Tumaco - afirma a declaração - vê essas sistemáticas e contínuas ameaças com grande preocupação, dado que afetam cada vez mais organizações e pessoas, sem levar em consideração a reconhecida missão de defesa da vida da Igreja Católica, que está baseada no Evangelho de Jesus Cristo. Sempre repudiaremos todas as violações dos direitos civis, seja qual for a fonte."

A diocese se mostra preocupada porque, "desde a primeira ameaça, recebida em 2007, as instituições governamentais pertinentes não apresentaram resultados de suas investigações sobre esses crimes repetidos".

E pede "mais uma vez" que o governo colombiano "nos proporcione garantias para continuar nosso trabalho em defesa da vida e promover ações para proteger as organizações e pessoas que estão ameaçadas". Pede também a "apresentação dos resultados das investigações sobre as sete ameaças anteriores contra nossas organizações".

E conclui convidando "as organizações nacionais e internacionais a acompanhar a situação e que o governo cumpra os acordos internacionais sobre a proteção dos direitos humanos em nosso país".

Aos grupos paramilitares na Colômbia é atribuída a responsabilidade pelos massacres, assassinatos, estupros, viagens forçadas e repressão dos direitos humanos. O governo tem apresentado esforços para desmobilizá-los, mas parece que estão aumentando novamente.

Os grupos paramilitares de direita, os grupos guerrilheiros de esquerda e o governo colombiano vêm combatendo há várias décadas uma guerra civil na qual muitas pessoas perderam a vida ou se feriram como consequência de minas implantadas na terra; e milhões de outras já fugiram de suas casas.