Começa a Fase II da reforma do IOR, capitaneada por um francês

O Vaticano anunciou que o novo presidente do Instituto para as Obras de Religião é Jean-Baptiste de Franssu, que continuará a reforma iniciada por Bento XVI e reafirmada pelo papa Francisco

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 367 visitas

Os nomes dos novos membros do Conselho de Administração do Instituto para as Obras de Religião (IOR) foram divulgados nesta quarta-feira aos meios de comunicação na sala de imprensa da Santa Sé.

O francês Jean-Baptiste de Franssu assume o comando do IOR para os próximos anos, substituindo o alemão Ernest von Freyberg, que, nos últimos dois, respondeu pela Fase I da reestruturação da entidade, baseada em três pontos fundamentais: adequação aos modelos internacionais, carteira clara de clientes e transparência nas operações.

Na apresentação à imprensa, estiveram presentes o cardeal australiano George Pell, prefeito da Secretaria de Economia do Vaticano, o consultor maltês Joseph Zara, o ex-diretor Ernest Von Freyberg, o novo diretor Jean-Baptiste de Franssu e o porta-voz do Vaticano, pe. Federico Lombardi.

Franssu já está no Vaticano há um ano e foi membro da comissão que estudou os problemas econômicos e administrativos da Santa Sé. Atualmente, é membro do Conselho de Economia, equivalente ao “Ministério da Economia” do Vaticano.

Entre 2009 e 2011, o economista francês foi presidente da Efama, associação europeia de gestão de fundos, além de diretor em uma corporação bancária da França, conforme publicado por meios de comunicação italianos focados em finanças.

O cardeal Pell, na apresentação, recordou que as mudanças iniciadas pela nova Secretaria de Economia seguiram as recomendações da comissão COSEA, encarregada de estudar as estruturas econômicas e administrativas da Santa Sé, em vistas de uma futura reforma.

Pell acrescentou que as mudanças acontecerão na APSA, entidade que gerencia os móveis e imóveis da Santa Sé, nos fundos de pensão, nos meios de comunicação do Vaticano e no IOR. O purpurado anunciou ainda a criação de um escritório para a gestão de projetos (PMO) sob a direção do “ministério da economia” do Vaticano.

A APSA passa a integrar a estrutura da Secretaria de Economia, “um passo importante” para que “a Secretaria de Economia exerça as suas responsabilidades no controle e na vigilância das entidades da Santa Sé”, declarou Pell.

Quanto aos fundos de pensão, será constituída uma comissão técnica para estudar as formas de garantir as aposentadorias das atuais e das futuras gerações.

Para os meios de informação do Vaticano, também está prevista uma reforma a ser realizada ao longo dos próximos doze meses. Serão levadas em conta as mudanças ocorridas nas modalidades de comunicação nos últimos anos, provocadas principalmente pelas plataformas digitais. As estruturas vaticanas passarão por adaptações a fim de terem os custos reduzidos.

O comitê encarregado deste delicado trabalho contará com seis peritos de diversos idiomas. Um segundo grupo será formado por jornalistas e especialistas do Vaticano, entre os quais o latino-americano Lucio Ruíz e o diretor do diário L’Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian.

No tocante ao IOR, o cardeal Pell enfatizou o que o Santo Padre tinha confirmado no dia 7 de abril de 2014 sobre a missão do Instituto para as Obras de Religião. “Sob a orientação da Secretaria de Economia e deste conselho, o IOR anunciou planos para uma nova fase de desenvolvimento”, agregou o cardeal.

Pell completou: “O Conselho de Cardeais, a Secretaria de Economia, a Comissão de Supervisão dos Cardeais e a diretoria do IOR chegaram ao acordo de que este plano será levado adiante pela nova equipe executiva, dirigida por Jean-Baptiste de Franssu”.