Comentário sobre a liturgia dominical

Pe. Antonio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no Seminário Diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil).

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 537 visitas

Segundo Domingo do advento

Ciclo A

Textos: Isaías 11, 1-10; Romanos 15, 4-9: Mateus 3, 1-12

Idéia principal: Na semana passada, Deus, ao início do Advento nos convidava a acordar e a caminhar. Hoje nos convida aconverter-nos: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos céus”. E o faz através de dois precursores: Isaías e João Batista.

Aspectos desta idéia:

Em primeiro lugar, vejamos a missão dos precursores: são arautos que preparam os ânimos, convocam a atenção, para que Aquele que vem, seja esperado, desejado, recebido, e a sua vinda não passe despercebida. Na antiguidade, quando um personagem importante estava chegando se necessitava de um mensageiro que o precedera e convidara a população para saírem ao seu encontro, para endireitar e consertar os caminhos e as pontes para que passara. Hoje está vindo Cristo, o Filho do Deus vivo. Estamos preparados? 

Em segundo lugar, Isaías (primeira leitura) e João (segunda leitura) são os precursores de Cristo. Isaías anuncia que o Messias virá do velho tronco, quase seco, de Jessé - o pai de Davi, e, portanto, símbolo da dinastia principal de Israel; será uma renovação, uma haste verde, cheio de dons do Espírito, que será juiz justo e trará a paz. Necessitamos nos enxertar a esta haste nova para receber a sua seiva vivificadora e santificadora. João Batista, precursor do Novo Sol, é a aurora que precede ao Sol; anuncia a iminente vinda de Cristo, pregando a conversão e a penitência. Essa conversão nos exige tirar fora o pecado e trabalhar na santidade de vida, tendo em nós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo (segunda leitura).

Finalmente, cada um de nós, como batizados, uma vez convertidos, também somos precursores de Jesus e da sua salvação; somos a voz que anuncia essa Palavra. O que devemos dizer ao mundo é isto: o Reino dos Céus está próximo e urge a conversão dos corações. Temos de nos apaixonar por Cristo, como João, para apresentar a Jesus, fazer-lhe desejar, provocar a espera e a necessidade Dele. A voz -João e nós- fica em silêncio depois de ter anunciado a Palavra; o amigo do esposo se põe a um lado diante da aparição do esposo. Santo Agostinho disse que a tarefa da voz é de ser um canal; serve para transmitir a palavra e, com a palavra, a ideia que se formou dentro de nós. Quando esta palavra entra no coração de outro, se comunica ao outro, a voz fica em silêncio, cai. Assim, também o percussor.

Para refletir: antes de anunciar essa conversão, os outros devem ver que nós vivemos essa conversão, como fez São João. Ele antes de anunciar a conversão, viveu em silêncio no deserto e fez penitência. Portanto, antes de chegar ao momento da “confissão”, isto é, antes de falar de Cristo, devemos passar pelo caminho da “conversão”. Neste advento, há algo na minha vida que precisa de conversão? A quem devo anunciar esta conversão?

Qualquer sugestão ou dúvida entre em contato com o Padre Antonio neste e-mail:arivero@legionaries.org