Comissão da ONU reconhece os avanços da Santa Sé no combate aos abusos sexuais

O comitê da Convenção contra a Tortura elogia os esforços e a boa fé da Igreja para evitar novos casos e punir os responsáveis pelos crimes de pedofilia

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 273 visitas

O comitê da Convenção contra a Tortura (CAT), da ONU, publicou um relatório com as suas observações finais sobre o Informe Inicial da Santa Sé apresentado em 5 e 6 de maio pela delegação vaticana. É um procedimento ordinário seguido por todos os 155 países signatários da convenção. O Estado da Cidade do Vaticano aderiu a ela em 2002.

A Convenção contra a Tortura condena os tratamentos cruéis, humilhantes e desumanos e considera que os abusos sexuais fazem parte desses tratamentos. A delegação da Santa Sé apontou os esforços que tem realizado para evitar os abusos e informou que afastou 848 sacerdotes do ministério, puniu 2.572 clérigos que cometeram abusos e está investigando 3.420 casos denunciados à Congregação para a Doutrina da Fé.

O comitê da ONU reconheceu os esforços e a boa vontade da Santa Sé em prevenir os abusos sexuais e em facilitar a atenção às vítimas, além de reconhecer que a Santa Sé está fazendo reformas sérias e substanciais para permitir o desenvolvimento dos princípios e objetivos da CAT. Muitas dioceses e ordens religiosas fizeram acordos financeiros para indenizar as vítimas de abusos sexuais, valoriza a comissão.

As conclusões admitiram que os esforços da Igreja para proteger os bebês ainda não nascidos não constituem formas de tortura psicológica contra as mulheres; portanto, reconhecem o direito humano fundamental à liberdade de crença e de opinião, bem como à proteção e à promoção da vida humana.

Dom Silvano Maria Tomasi, observador permanente do Vaticano junto à ONU em Genebra, destacou alguns aspectos do relatório em entrevista à Rádio Vaticano. As observações conclusivas, diz o prelado, indicam o grande trabalho de prevenção feito pela Igreja contra os abusos sexuais. "O comitê da ONU apreciou o diálogo construtivo que a delegação vem mantendo com os especialistas desta comissão, bem como as palavras e atos do papa Francisco em defesa dos direitos humanos".

Tomasi observa ainda que este informe da ONU "é mais profissional e mais jurídico que o relatório de janeiro passado, sobre a Convenção dos Direitos das Crianças", que acusava a Igreja de “tortura psicológica contra as mulheres” por defender a vida dos nascituros e condenar, portanto, o aborto.

O observador vaticano afirma que há um reconhecimento de "que não se trata só de bons desejos, mas de decisões firmes já tomadas. A comissão notou isso". É o caso, por exemplo, das punições aos sacerdotes que cometeram abusos. 

Tomasi afirma que ainda "há críticas que se referem a procedimentos do passado, além de pedidos de informações que a Santa Sé levará em consideração e responderá até o próximo encontro".

"A comissão pede total independência para os responsáveis por investigar as acusações de pedofilia: é uma observação que certamente será levada em séria consideração".

O prelado afirma também que o caminho de compromisso cada vez maior contra os abusos "será reforçado ainda mais. Há uma nova cultura dentro da Igreja, não só por parte das autoridades, mas no sentimento comum dos católicos, de fazer todo o possível para responder ao dano cometido e evitar que ele se repita. Queremos deixar para trás este capítulo triste, que é o comportamento de algumas pessoas unidas à Igreja, e renovar o serviço pastoral e a evangelização para que haja uma fidelidade mais clara à mensagem do Evangelho".