Comissão do Vaticano contra abusos: mais transparência e responsabilidade local

É necessário sensibilizar as pessoas quanto às trágicas consequências do abuso sexual e quanto à necessidade de denunciar quando existem suspeitas

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 339 visitas

A Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores apresentará ao papa Francisco “propostas específicas” para sensibilizar as pessoas quanto “às trágicas consequências do abuso sexual e das devastadoras repercussões de não se escutar ou não se informar quando há suspeita de um abuso”. A declaração é do cardeal norte-americano Sean Patrick O'Malley, que teve um encontro com jornalistas na Sala de Imprensa do Vaticano e respondeu a uma série de perguntas.

Junto com o cardeal, estavam presentes a senhora Marie Collins, o pe. Hans Zollne e, no auditório, vários integrantes da comissão, cujo primeiro encontro aconteceu de 1º a 3 de maio na Casa Santa Marta. O objetivo do encontro foi “apresentar ao Santo Padre sugestões sobre as funções da comissão e propor a nomeação de outros membros de diversos lugares do mundo”, disse o cardeal.

O Santo Padre instituiu formalmente a Comissão para a Proteção de Menores no dia 22 de março deste ano. A iniciativa tinha sido anunciada no final de 2013 pelo cardeal O'Malley, o único purpurado da comissão. Faz parte do grupo uma vítima de abusos, a irlandesa Marie Collins, que sofreu assédios sexuais de um sacerdote quando era criança. Hoje com 66 anos, ela relatou a sua história em um simpósio organizado pelo Vaticano em 2012, na presença de 200 bispos.

O cardeal norte-americano expressou “profunda solidariedade para com todos os que foram vítimas de abusos sexuais quando crianças ou como adultos vulneráveis” e enfatizou que, “desde o começo da nossa tarefa, adotamos o princípio de que o bem da vítima é prioritário na hora de se tomar qualquer tipo de decisão”.

O'Malley disse que, neste primeiro encontro, a comissão se concentrou nos objetivos a ser alcançados e na necessidade de se incluírem “pessoas de outras áreas geográficas e de diversas áreas de competência”, porque há regiões no mundo em que os abusos contra menores ainda não são considerados como tais.

“Examinamos muitas propostas sobre a colaboração que a comissão poderá prestar aos especialistas dos setores relacionados com a salvaguarda dos menores e dos adultos vulneráveis”, declarou o cardeal, acrescentando que foram contatados membros da Cúria Romana para futura cooperação, bem como representantes da Secretaria de Estado, da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para o Clero, da Sala de Imprensa e da Gendarmaria Vaticana.

O purpurado estadunidense recordou que a comissão é consultiva e comunicará ao papa os resultados do trabalho realizado, “propondo iniciativas para fomentar a responsabilidade local em todo o mundo e o intercâmbio das 'melhores ações' para a proteção de todos os menores mediante programas de prevenção, educação, formação e resposta aos abusos”.

O franciscano destacou ainda a importância de “assegurar a responsabilidade da Igreja, incluindo medidas e procedimentos eficazes e transparentes”. A comissão, disse ele, não se ocupará de casos particulares, mas de “propostas específicas que reforcem a sensibilização da opinião pública sobre as trágicas consequências do abuso sexual e das devastadoras repercussões de não se escutar ou não se informar quando há suspeita de um abuso, assim como da falta de ajuda às vítimas de abusos sexuais e às suas famílias”.

Outro dos objetivos é que “os católicos se comprometam a fim de que as nossas paróquias, escolas e instituições sejam lugares seguros para todos os menores”.