Como avaliar um orador e pregador

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 763 visitas

Se quiséssemos colocar aqui os pontos principais para se avaliar um orador – seja esse político ou religioso -, poderiam ser estes:

1. Relaxamento físico e mental: para livra-se de preocupações, nervosismos, tensões, medo, timidez, insegurança...

2. Concentração física e mental: partir com um intervalo de concentração, como o pianista, para entrar no papel que realizará e no tema que vai expor.

3. Posição física: busto ereto, tronco erguido, cabeça ligeiramente elevada, não encolhida ou para baixo. Apoiar-se bem nos calcanhares, quando se está de pé. Sentar-se com as costas bem apoiadas no encosto da cadeira, como o datilógrafo ou o tenor. Manter todos os músculos relaxados, sem rigidez, mas também sem abandono, e sim com uma certa tensão.

4. Respiração diafragmática: rítmica e profunda. Com a boca, melhor do que com o nariz, para fazê-la mais rápida e sem ruído. Economizar bem o ar, especialmente nas frases cumpridas, para chegar ao final com a energia certa e sonoridade. Fazer bem e aproveitar ao máximo as pausas.

5. Aparência pessoal: olhar comunicativo com o auditório, não voltado para o teto ou o vazio. Estar seguro de si mesmo, sem nervos, tensões ou rigidezes. Evitar movimentar-se muito ou balançar o corpo, os tiques. Buscar a elegância e a naturalidade. O entusiasmo e a sinceridade na expressão do rosto e dos gestos é o que mais convence. Para fazer isso, que os gestos sejam harmoniosos e plásticos, nem muito rápidos e nem muito pomposos.

6. Emissão da voz: da garganta, nariz, peito, cabeça? Conhecê-la e não se lamentar da que se tem ou invejar vozes alheias, mas estudar a própria e educa-la para aproveitá-la ao máximo. Subir ou abaixar o volume de acordo com as exigências dos argumentos e ater-se às dimensões do local, porém sempre dentro dos limites da própria natureza: não força-la. Procurar um tom moderado e natural, nem grave e nem agudo. Evitar a monotonia e tons melosos e paternais, doce demais ou ásperos, ditatoriais, dogmáticos, solenes, “políticos” ou de efeitos. Evitar tons ou regionalismos. Entoação afinada e entoada, de acordo com os cânons da entoação. Ponto de partida “sustentado" e com garra, com tom vibrante e confiante.

7. Memória: Se a fala ou discurso não foi decorado, ao menos memorizar um esquema básico com os seus pontos chaves. Se for pronunciado de cor, fazê-lo perfeitamente, ensaiando-o várias vezes e em voz alta antes da sua apresentação. Fazer de tal forma que o auditório não note que sabemos de cor.

8. Sentimentos: Ter a certeza do que se vai falar para poder senti-lo e declama-lo com calor, sentido, confiança, ressonância, entusiasmo e sinceridade. Sair de si mesmo contra a inibição ou timidez. Variedade de tons e de volume para evitar a monotonia, mas com moderação e discrição: Evite gritar ou teatralizar. Estudar o discurso e os seus sentimentos antes de pronunciá-lo. Conhecer o auditório para trata-lo com doçura, amizade, convicção, energia, conforme o exija a problemática.

9. Ritmo e velocidade: pronúncia nem muito lenta e nem muito precipitada. Conseguir uma dicção repousada e clara e ao mesmo tempo ágil e variada. Vocalizar com cuidado as palavras difíceis, as consoantes duplas e as sílabas finais. Enfatizar as palavras chaves e as ideais principais.

10. Expressão gramatical: correção gramatical e sintática. Precisão e expressividade no vocabulário. Riqueza de léxico, mas tendo em conta o auditório, a situação e o argumento. Evitar o vocabulário pedante, técnico ou erudito. Alguns defeitos de dicção: anacolutos, pleonasmos, cacoetes, “ehhh”, tropeços, regressões, hesitações...

11. Introdução-exórdio: atraente e interessante para aguçar o apetite do auditório e condicioná-lo a escutar o resto do discurso. Pertinente e unido ao resto do discurso. Tocar o problema do auditório para que se sinta aludido, para captar sua atenção. Originalidade, mas sem raridades, vulgaridades ou extravagâncias.

12. Fundo: plano e organização do tema: conhecer, amar o auditório. Fim concreto e presente ao longo de todo o discurso ou homilia. Esquema claro e ordenado dos motivos mais válidos e concretos para esse auditório concreto e para esse fim concreto. Valorização de tais motivos e provas. Previsão e resposta de possíveis objeções. Dar preferência aos argumentos positivos mais do que aos negativos. Não atacar o auditório, mas compreendê-lo e estimulá-lo.

13. Forma: quanto mais sensibilizar os argumentos e razões melhor, aplicando os vários métodos (concreção, visualização, desenvolvimento, dramatização, imagens, anedotas, citações...), de acordo com o efeito que se quiser conseguir. Evitar que a forma asfixie o fundo, bem como fazer literatura e retórica pomposa. Não sobrecarregar com muitos dados, imagens, exemplos, citações ou anedotas. Discrição e seleção no seu uso, para integrá-los harmônica e equilibradamente com o fundo de ideias.

14. Conclusão-peroração: recapitular brevemente todas as idéias. Formulá-las em uma breve frase, como um slogan, para que o auditório tenha claro e lembre facilmente o fim. Acabar sempre com elegância e pé direito, com a maior clareza e beleza, para deixar um bom sabor de boca. Fazê-lo na hora certa.

Quaisquer dúvidas ou sugestões, por favor, comunique-se com padre Antonio Rivero neste e-mail: arivero@legionaries.org

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Tradução Thácio Siqueira