Como estudar o roteiro que seguiremos no dia da pregação?

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 4517 visitas

Como estudar o roteiro que seguiremos no dia da pregação?

Passos sugeridos:

- Destacar de amarelo ou vermelho, no texto da pregação, as palavras que queremos dizer irrenunciavelmente.

- Repassar várias vezes o roteiro.

- Fechar os olhos, relaxar o corpo num assento cômodo e repetir mentalmente o que lemos, sem pronunciar uma só palavra.

- Pronunciar a pregação no próprio quarto ou escritório, do jeito que queremos fazê-la diante dos nossos ouvintes. Bem pronunciado. Se houver possibilidade, gravá-la e ouvi-la imediatamente. O gravador é um ótimo crítico.

Que normas ajudam para a pregação?

- Concentrar-se no essencial: não dizer tudo. Não explicar as três leituras, nem todos os textos da liturgia. Leve-os todos em conta ao preparar a prédica, mas, depois, limite-se ao essencial.

- Pregar uma única ideia: o público só assimila uma ideia. Apresente essa ideia, repita, resuma. E vá-se embora.

- Ser breve e substancioso. Devagar, mas com vida. Mude de ritmo e de tom.

- Bom começo e bom final, pois “exórdios e despedidas dão aos sermões a vida”.

- Exemplos com graça e gosto. Faça como Jesus: use exemplos, parábolas, historietas, alegorias, comparações, ditados e frases populares.

- Vocabulário simples, ao falar de termos bíblicos, teológicos ou filosóficos.

- Pode ser mais prudente levar a pregação escrita e ler. Assim, é mais fácil ser breve, desenvolver uma ideia só, dosar os exemplos, manter um vocabulário acessível. Se não for necessário ler, pode-se partir de um esquema que ajude a seguir esses mesmos pontos.

- E falar ao microfone como se fosse o ouvido do ouvinte: afastando-se quando se levanta a voz, aproximando-se quando a voz é diminuída. Não é necessário gritar. São preferíveis os tons graves. E devem ser evitados os movimentos da cabeça, que desviam a voz do microfone.

Qual seria o processo semanal da pregação?

A pregação dominical deve ser o resultado de um esforço que se estende ao longo de toda a semana. Aconselha-se o seguinte, caso haja tempo:

- Concentração, silêncio e calma durante a semana toda.

- A segunda-feira poderia ser dedicada à leitura dos textos e à escolha de um deles, que determinará o tema da pregação.

- A terça-feira é o dia da exegese, para se descobrir o sentido principal do texto. É o dia mais trabalhoso.

- A quarta-feira é o dia da atualização: o que acontece hoje na vida dos ouvintes?

- A quinta-feira é o dia da oração pessoal do pregador. Daqui já sai a formulação do tema da pregação.

- A sexta-feira é dedicada à preparação do roteiro.

- O sábado deve ficar livre da preparação da pregação. Nesse dia, o pregador tem que se manter sereno e descansado, mas pode dar uma olhada no roteiro para memorizá-lo por inteiro ou parcialmente.

Qual seria o processo criativo?

Em linguagem psicológica, significa evitar a tendência à rotina no pensamento e renovar-se continuamente com modelos de pregação. Nesse processo criativo há algumas fases:

- A fase de preparação: aqui se consideram os problemas, recolhe-se material, pensa-se o problema a fundo, leem-se pregações sérias e bem preparadas de outros.

- A fase de incubação: essas ideias repousam e são matutadas. É a gestação.

- A fase de iluminação: nasce a ideia que eu quero transmitir. As outras ideias são descartadas.

- A fase de verificação: compara-se a ideia central da pregação com a vida dos ouvintes.

Posso contar com a ajuda de livros ou da internet?

A questão é ver quais materiais podem ajudar o pregador. Esse material pode ajudar o sacerdote que talvez venha pregando há muitos anos, e que pode encontrar alguma nova luz ou intuição, para depois desenvolvê-la de acordo com o seu próprio temperamento. Mas o pregador não pode fazer um plágio desse material e simplesmente passar para frente esse texto pré-fabricado. O pregador tem que preparar a sua pregação, encontrar tempo para prepará-la bem, ler os textos da missa, meditá-los, compará-los com a situação dos ouvintes e com os acontecimentos atuais.

Esses materiais podem ter três funções:

- Uma função de apoio: para o encontro com o texto bíblico ou com o tema principal.

- Uma função de controle: do próprio esquema, para completá-lo, podá-lo ou poli-lo.

- Uma função de estímulo: para superar-se na pregação. Se não, cairíamos no tédio.

Como conclusão…

- Ler os textos da liturgia dominical.

- Fazer o trabalho exegético e dogmático de uma semana no mínimo.

- Meditação pessoal desses textos durante a semana.

- Consultar algum dos livros homiléticos que possam inspirar alguma ideia.

- Elaborar a própria pregação, com um objetivo concreto para um auditório concreto.

- Fazer o discurso com convicção, expressividade, entusiasmo e lógica.

Dúvida os sugestões? Comunique-se, por favor, com o pe. Antonio Rivero: arivero@legionaries.org

* Dicas elaboradas a partir de conselhos do livro “Última asignatura: la homilía”, do padre Carlos Muñiz, S.J.

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