Como melhorar a nossa pregação sagrada: as técnicas de forma externa

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1436 visitas

Estamos explicando a forma da pregação a serviço do fundo de ideias. Já vimos as técnicas de forma interna: concretização, desenvolvimento, visualização, dramatização e comparação. Agora veremos as técnicas de forma externa, que são o grafismo ou estilo plástico e o ritmo ou movimento oratório ao expressar as ideias.

Não nos esqueçamos de que a forma de expressar as nossas ideias é muito importante para que elas fiquem gravadas mais facilmente na mente do ouvinte, a fim de que ele acompanhe com atenção e com prazer o fio condutor do discurso ou da pregação, sem se sentir cansado nem entediado. 

PRIMEIRO, O GRAFISMO OU ESTILO PLÁSTICO

Dá vitalidade e expressividade à forma, o que se consegue com palavras vigorosas, criativas e cheias de cor.

Consegue-se também substituindo uma frase ou palavra por outra mais plástica e vívida, através de um verbo-imagem, uma metáfora, um jogo de palavras, uma antítese, um contraste de termos, com expressões que chamem a atenção, com um slogan ou frase lapidária, etc... Com esses recursos, salpico a sensibilidade e a imaginação dos meus ouvintes.

Uma frase sem grafismo nem estilo plástico não chama a atenção de ninguém, não penetra na mente nem na sensibilidade do ouvinte, nos faz bocejar e olhar para o relógio mil vezes durante a pregação. Já uma frase com estilo plástico incide e fica gravada a fundo; dá vontade de ouvir o pregador durante horas!

Exemplo:

Ideia sem grafismo: sua vida foi um contínuo sofrer. Ideia com grafismo: a vida dele foi uma perpétua sexta-feira santa. Ideia sem grafismo: passou a vida servindo aos doentes nos hospitais. Ideia com grafismo: queimou sua vida entre esparadrapos e soros de hospital.

Ideia sem grafismo: quero participar do sofrimento de Cristo. Ideia com grafismo: quero descansar nas chagas abertas de Cristo.

Ideia sem grafismo: alguns falam muito de Deus, mas não fazem oração. Ideia com grafismo: sem oração, a sua pregação sobre Deus tem cheiro de biblioteca, mas não convencerá ninguém, porque você não transmite no seu rosto o reflexo desse Deus. Ideia sem grafismo: temos que ter caridade em casa e justiça com os outros. Ideia com grafismo: a caridade começa dentro de casa, e a justiça, já na porta da rua.

SEGUNDO, O RITMO E A TEMPERATURA ORATÓRIA

Este recurso afeta o aspecto mais externo do estilo, a forma de expressar algo, modificando a ordem das palavras e o movimento das frases. E isto se consegue com interrogações, exclamações, frases curtas, contrastes nas frases, supressão de conjunções e partículas desnecessárias, diversos tons (ironia, nostalgia, despreocupação, tristeza, ansiedade, alegria…). Trata-se de um estilo coloquial ou conversacional, mas cheio de força e de vigor.

Um exemplo de frase sem ritmo: Cristo morreu por nós gratuitamente e nós não somos gratos a Ele. Às vezes, o ofendemos.

Vejamos várias formas de dizer a mesma frase com mais ritmo oratório:

-            Cristo morreu por nós, e morreu gratuitamente! E nós, agradecemos? Ah, que agradecimento! Ainda por cima o ofendemos!

-            Morreu, Cristo morreu por nós! E Ele ganhou algo que não fosse para nós? E nós? Nem lhe agradecemos! Agradecer… Nós ainda o ofendemos, isso sim!

-            Foi por nós que Cristo morreu! E nem sequer agradecemos! Morreu sem nenhum interesse próprio! E nós o ofendemos, ainda por cima!

-            Por acaso Cristo não morreu por nós? Não morreu gratuitamente? E nós, agradecemos, pelo menos? Ou o ofendemos, em vez disso?

Ah, como a nossa pregação mudaria se a salpicássemos de ritmo e de temperatura oratória! Experimente e você vai ver. Para mim deu resultado, e quanto!

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Caso queira se comunicar com o Padre Antonio Rivero pode fazê-lo por este e-mail:arivero@legionaries.org