Como melhorar a nossa pregação sagrada: Fundo e Forma

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 968 visitas

Na semana passada, comecei a falar da linguagem na pregação, da sua importância e dos seus níveis. Vamos dar agora mais um passo: comentaremos os recursos formais que podemos usar para revestir as ideias e gravá-las mais profunda e eficazmente na mente e no coração dos ouvintes. Um fundo com ideias claras, estruturadas, lógicas, mas também uma forma atrativa, concreta, sensibilizada, visualizada e até dramatizada (sem teatralizar).

A FORMA A SERVIÇO DO FUNDO

A forma é o modo de apresentar as ideias que compõem o fundo de uma mensagem. Serve para gravar melhor a mensagem na mente e no coração do ouvinte. A força de impacto de uma ideia é diretamente proporcional ao seu grau de sensibilização.

As técnicas da forma se classificam em dois tipos:

Primeiro, técnicas de forma interna: concretização, desenvolvimento, visualização e dramatização.

Segundo, técnicas de forma externa, que incidem no modo de expressar a ideia: estilo plástico e ritmo ou movimento oratório.

COMECEMOS PELA FORMA INTERNA

Primeiro, a concretização da ideia. Há alguns passos para a concretização:

a)     Enunciação da ideia ou verdade que eu quero transmitir ao ouvinte, e que, em geral, é abstrata, universal: “A confissão nos traz alívio… O sofrimento machuca… É melhor dar que receber… Cristo nos amou com loucura, etc…”.

b)     Sensibilização mediante um caso concreto em que essa ideia abstrata e universal se realiza.

c)      Recapitulação rápida para mostrar como se verifica neste caso a ideia universal e abstrata.

Um exemplo:

Ideia abstrata: O sofrimento machuca.

Sensibilização da ideia: Ah, como o sofrimento machuca! Perguntem à dona Rita, que está presa a uma cama já faz três anos, sem poder fazer nada, sentido as piores e mais terríveis dores, sem conseguir dormir nem sequer durante uma hora completa, nem durante o dia, nem durante a noite! E com seis filhos para educar e cuidar! Ah, meus caros, o sofrimento machuca, e como machuca!

Recapitulação da ideia: Ficou bem claro que o sofrimento machuca? Olhem para a dona Rita, nos testemunhando essa verdade: o sofrimento machuca, e machuca demais!

Segundo, o desenvolvimento da ideia.

Passos:

a)     Enunciado da ideia, de forma exclamativa, expressando um sentimento, um valor ou um contravalor.

b)     Desenvolvimento com algum dos tópicos de Aristóteles: quem, o quê, como, quando, onde, por quê, quantas vezes.

c)      Recapitulação da ideia desenvolvida.

Um exemplo:

Enunciado da ideia: Como machuca o sofrimento!

Desenvolvimento: Quem está sofrendo? Dona Rita, mãe de seis filhos, três deles ainda pequenos. O que ela sofre? Um câncer terrível, que está se apoderando da vida e dos sonhos da dona Rita! Por quê? Só Deus sabe o porquê de tanto sofrimento, para ela que ainda é tão jovem! Como ela está sofrendo? Presa à cama, com grandes dores, mas com profunda paciência e resignação, de olhos firmes em Deus.

Recapitulação: Machuca ou não machuca o sofrimento? Perguntem à dona Rita, ela que é mãe de seis filhos, ela que está em seu quarto se consumindo de dor, com toda a fé plantada em Deus!

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Caso queira se comunicar com o Padre Antonio Rivero pode fazê-lo por este e-mail:arivero@legionaries.org