Como melhorar a nossa pregação sagrada: resumo da expressão oratória

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1143 visitas

Vamos encerrar esta parte da expressão oratória com uma espécie de resumo, para deixar os conceitos mais claros e incisivos. Apresentaremos o resumo em duas partes: na coluna de hoje e na da próxima semana.

RESUMINDO:

A expressão oratória abrange os seguintes aspectos.

Expressão oral:

A construção gramatical e sintática das frases deve ser correta.

Devemos evitar os anacolutos, que são aquelas frases incompletas e as expressões incoerentes.

Eliminar todo tipo de muletas: “né?”, “Bom...”, “Então...”, “sabe?”.

Construir com clareza, concisão e precisão cada uma das frases ou períodos.

Ser breves, evitando rodeios. “O bom, se é breve, é duas vezes bom”, dizia Baltasar Gracián, escritor espanhol do século XVII, o século de ouro das letras espanholas.

Sentimento:

Estar convictos do que pregamos, para senti-lo e transmiti-lo com autenticidade.

Declamar com calor, identificados com os sentimentos que manifestamos. Calor não significa gritar sem necessidade, nem teatralizar artificialmente.

Estudar o discurso e os seus sentimentos antes de pronunciá-lo.

Voz:

Em vez de lamentar a voz que temos ou invejar vozes alheias, temos que estudar a nossa própria para aproveitá-la ao máximo e educá-la.

Modulá-la para matizar o discurso o melhor possível.

Não forçá-la, e sim usá-la como numa conversa. O orador romano Cícero dizia: “Alguns oradores latem, não falam” (Bruto 15, 58).

Usar um tom de voz moderado: nem grave nem agudo; nunca monótono.

O tom de voz deve ser acomodado à ideia, ao sentimento e até mesmo ao local.

Não usar um tom meloso, adocicado, nem áspero demais.

Conseguir variedade de tons; para isso, é necessária a variedade de sentimentos.

Evitar sotaques regionais ou pessoais.

Evitar tons ditatoriais, solenes, políticos, sensacionalistas.

À voz e ao gesto corporal, principalmente da cabeça e das mãos, deve unir-se a expressão do semblante (Cícero, De Oratore III, 56, 213).

Critério geral: para cada discurso e para cada parte, o tom que lhe cabe.

Continuaremos este resumo da expressão oratória na próxima semana.

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Caso queira se comunicar com o Padre Antonio Rivero pode fazê-lo por este e-mail:arivero@legionaries.org