Como melhorar a nossa pregação sagrada: visualização, a dramatização e a comparação dessas ideias

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1266 visitas

Começamos a explicar a forma a serviço do fundo de ideias. Já analisamos a concretização e o desenvolvimento. Hoje veremos a visualização, a dramatização e a comparação dessas ideias para gravá-las na mente e no coração do ouvinte.

Terceiro, a visualização da ideia…

Estes são os passos:

Enunciar a ideia: ideia ou verdade geral, abstrata e universal: Sim, o sofrimento machuca.

Visualização da ideia: “pintar” a cena com detalhes que possam ser “enxergados” pelos ouvintes. Evitar descrições minuciosas, pois não se trata de uma redação literária. Evitar também detalhes desnecessários, que sufocam a força do sentimento e ressaltam o artificioso, o literário, podendo provocar risos.

Recapitulação da ideia que já estava concretizada, desenvolvida e visualizada, para que o ouvinte fique com o principal: o sofrimento machuca.

Exemplo:

Enunciando a ideia: É claro que o sofrimento nos machuca!

Visualização da ideia: Veja dona Rita, no quarto dela, presa à cama, já faz três meses. Seus olhos? Só conseguem se fechar para oferecer aquela dor a Deus! Olhe as mãos dela, em postura de oração. Às vezes, seus lábios liberam um leve gemido, porque as dores são atrozes. Veja o marido dela, junto com ela todas as tardes, depois de voltar cansado do trabalho, cuidando dela com carinho. E os filhos? Os menores estão com a tia, que mora ao lado. Os maiorzinhos estão em casa, fazendo as tarefas da escola, num canto, tristes, sem entender por que a mamãe deles tem que sofrer tanto. Como é duro tudo isso para dona Rita e como é duro para toda a família!

Recapitulação da ideia: O sofrimento machuca ou não machuca? Pergunte a dona Rita, ao marido dela e aos filhos.

Quarto, a dramatização da ideia

Estes são os passos:

Enunciar a ideia: A ideia é sempre abstrata e universal: o sofrimento sempre machuca.

Dramatização: o pregador faz com que os personagens falem na cena, colocando em sua boca as palavras, afetos e impressões. A dramatização deve ser breve, mas incisiva.

Recapitulação: no final, repete-se a ideia já bem reforçada.

Um exemplo:

Enunciando a ideia: O sofrimento machuca demais!

Dramatização da ideia:

- Mamãe, por que você tem que estar sempre na cama, sofrendo assim?

-  Deus permitiu assim, filho, e nós temos que aceitar a vontade de Deus também quando ela nos dói. 

–Rita, meu amor, você sabe que eu estou sempre com você e não me esqueço de você durante o trabalho... Voltei mais rápido para ficar com você. O chá já está quase pronto. Me dê um abraço!

–  Fique tranquilo, José, e abrace os nossos filhos por mim e por você. Diga que eu amo muito todos eles. Me traga o chá, sim, estou precisando tomar um chá...

Recapitulação da ideia: Ficou claro? O sofrimento machuca muito!

E finalmente, a comparação.

Passos:

Enunciar a ideia: é a ideia ou verdade que eu quero propor, como, p.ex., construir o casamento dia a dia.

Comparação: a inteligência entende melhor e a vontade decide com mais intensidade quando essa ideia é apresentada com uma comparação. Podem ser comparações lógicas, que ajudam a entender melhor, ou comparações emotivas, que fazem a ideia ser “sentida” melhor. Podemos comparar o casamento com um edifício.

Recapitulação da ideia: Sim, o casamento é como um edifício que se constrói todos os dias, tijolo a tijolo. O último tijolo só é colocado quando morremos.

Exemplo:

Ideia: É preciso construir o edifício do casamento dia após dia.

Comparação: o casamento é como um edifício:

Todo dia, cada um da família vai colocando um tijolo: o papai, a mamãe, os filhos.

Com alicerces firmes: as virtudes e a fidelidade.

Com colunas resistentes: a oração, o sacrifício, o amor.

Com janelas grandes e luminosas: a sinceridade.

Com uma sala de estar acolhedora: boas palavras, conversas positivas e sadias.

Com uma sala de jantar elegante: educação, prestimosidade, controle pessoal.

Com quartos bem proporcionados e limpos: pureza e decência.

Com um jardim ao ar livre: descanso sadio.

Com vários andares: cada filho é como um andar desse edifício. O casamento tem que ser fecundo.

Recapitulação: Entenderam a imagem e a comparação? Casar é como ir construindo um edifício maravilhoso, tijolo após tijolo.

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Caso queira se comunicar com o Padre Antonio Rivero pode fazê-lo por este e-mail:arivero@legionaries.org